<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594</id><updated>2011-04-21T19:02:33.262-03:00</updated><title type='text'>Alexandre Soares Silva</title><subtitle type='html'>Diário da Corte de Pisuerga, escrito no Mais Triste Exílio pelo Cavalheiro de Beri-Beri</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>158</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-93278015</id><published>2003-04-26T00:44:00.000-03:00</published><updated>2003-05-22T00:20:19.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>ESTE BLOG SE MUDOU PARA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://soaressilva.wunderblogs.com"&gt;http://soaressilva.wunderblogs.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clique, vá lá. Ora, vamos. Clique.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;b&gt;Trecho de um poema de Robert Frost&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;I´m liberal. You, you aristocrat&lt;br /&gt;Won´t know exactly what I mean by that.&lt;br /&gt;I mean so altruistically moral&lt;br /&gt;I never take my own side in a quarrel.&lt;br /&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;b&gt;MICROTEATRO&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;ou&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;TEATRO EM DEZ SEGUNDOS&lt;/B&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Alexandre Soares Silva aponta uma pistola para um apresentador de tevê barrigudo, bigodudo, que leva um palito de dentes no canto de uma boca levemente parecida com a de um javali.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ALEXANDRE -&lt;i&gt; (atirando cinco vezes no rosto do apresentador)&lt;/i&gt; Desgraçado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Caem miolos e cortina ao mesmo tempo)&lt;/i&gt;&lt;Br&gt;&lt;BR&gt;&lt;b&gt;Brought to you by the Ten-Seconds Production Company in association with Alexandre Soares Silva&lt;/b&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-93278015?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/93278015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/93278015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93278015' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-93228299</id><published>2003-04-25T04:41:00.000-03:00</published><updated>2003-04-26T13:41:42.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Ateus&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Existe algo de profundamente &lt;i&gt;puritano&lt;/i&gt; num ateu. Ele vê o universo como uma espécie de &lt;i&gt;müesli&lt;/i&gt;, a ser comido sem mel. Vê os dedos melados dos crentes, o fio dourado entre a colher e o prato, e franze o sobrolho com desprezo. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Arrependimento&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Matou a mulher num acesso de ciúme. Horrorizado com o que tinha feito, usou a sua genialidade pra conceber uma máquina  que o levasse de volta ao preciso instante do crime, para não o cometer mais. A alavanca foi acionada. Suspense. &lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;Br&gt; &lt;b&gt;C.S.Lewis, the Narnia Killer&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Se o sistema solar foi causado por uma colisão acidental, então o aparecimento de vida orgânica neste planeta foi também um acidente, e toda a evolução do homem foi também um acidente. Se é assim, todos os nossos pensamentos são meros acidentes – o subproduto acidental do movimento dos átomos. E isso vale para os pensamentos dos materialistas e dos astrônomos tanto quanto para os dos outros. Mas se os pensamentos &lt;i&gt;deles&lt;/i&gt; - i.e., do Materialismo e da Astronomia – são meros subprodutos acidentais, por qual motivo deveríamos acreditar que são verdadeiros? Não vejo razão para acreditar que um acidente possa ser capaz de me dar uma explicação correta de todos os outros acidentes. É como esperar que a forma acidental tomada por uma poça de leite, quando derramado de uma garrafa,  explique corretamente como a garrafa foi feita e o motivo do derramamento.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Answers to Questions on Christianity)&lt;/i&gt;&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;Espera&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Releia o conto chamado &lt;i&gt;Arrependimento&lt;/i&gt;, postado mais uma vez aí embaixo. Mas desta vez, ao terminar, leia de trás pra frente, lendo de vinte em vinte letras a partir da última letra, “e”. Deixei as letras em questão em negrito para facilitar a leitura.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt; &lt;b&gt;Arrependimento&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Mato&lt;b&gt;u&lt;/b&gt; a mulher num acesso de c&lt;b&gt;i&lt;/b&gt;úme. Horrorizado com o q&lt;b&gt;u&lt;/b&gt;e tinha feito, usou a sua &lt;b&gt;g&lt;/b&gt;enialidade pra conceb&lt;b&gt;e&lt;/b&gt;r uma máquina  que o leva&lt;b&gt;s&lt;/b&gt;se de volta ao preciso i&lt;b&gt;n&lt;/b&gt;stante do crime, para nã&lt;b&gt;o&lt;/b&gt; o cometer mais. A alavan&lt;b&gt;c&lt;/b&gt;a foi acionada. Suspens&lt;b&gt;e&lt;/b&gt;. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-93228299?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/93228299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/93228299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93228299' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-93161016</id><published>2003-04-24T02:38:00.000-03:00</published><updated>2003-04-24T07:20:39.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Jornalismo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ouvi uma vez Fernando Morais dizer que quem não se interessa por Antônio Carlos Magalhães não devia ser jornalista, devia ir fazer outra coisa. Acho que esse é exatamente o problema com o jornalismo: um monte de gente que se interessa por Antônio Carlos Magalhães.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, e que são gentinha. Mesmo pessoas interessantes como Paulo Francis - cuja morte eu quase, quase chorei - quanto mais jornalista era, quanto mais da &lt;i&gt;patota do Pasquim&lt;/i&gt;, mais acanalhado. Quem disse o que ele disse sobre Ruth Escobar (sim, ela mereceu) is no bloody gentleman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo a vida de Paulo Francis como uma luta contra o jornalismo. Daí a sua depressão de dias, depois que seu romance não vendeu o quanto queria. Sentia a necessidade de escapar desse mundo acanalhado das redações, e suspeito que queria escapar até mesmo de alguns amigos, que entrarão para alguma espécie de história só porque tiveram a sorte de viver no mesmo bairro de um gênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, se não me engano escrevendo sobre uma exposição de Matisse, Paulo Francis lamentou o tempo que tinha desperdiçado na vida, lendo e escrevendo sobre Kruschev, Jango, e outras bestas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um gênio que viveu na favela do jornalismo. Quis escapar. Morreu antes. E até hoje os jornalistinhas brasileiros reclamam de seu &lt;i&gt;pseudojornalismo&lt;/i&gt; - como se importasse se os seus textos seguiam ou não alguma espécie de cartilha infecta do que é jornalismo. Fico imaginando se um chefinho de redação o forçasse a escrever &lt;i&gt;jornalismo de verdade&lt;/i&gt;; ah, as almas secas, cheirando a nicotina, que falam de jornalismo como se fosse uma ciência arcana. O que ele escreveu foi simplesmente as melhores linhas do jornalismo brasileiro, e se o jornalismo o renega, fica decapitado.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim. De qualquer modo, juro que nunca fui tão feliz quanto depois que acabou a minha assinatura da &lt;i&gt;Folha&lt;/i&gt;. Meu rosto ganhou uma distinção encantadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-93161016?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/93161016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/93161016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93161016' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-93091451</id><published>2003-04-23T01:17:00.000-03:00</published><updated>2003-04-23T05:11:49.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Hitler, Brainy Boy&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se a profundidade de um homem pelo que escolheu para ser sua Bíblia. Indo de &lt;i&gt;Para Ler o Pato Donald&lt;/i&gt; até a Bíblia, mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bíblia de Hitler era &lt;i&gt;Winnetou&lt;/i&gt;, de Karl May. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de &lt;a href="http://www.cowboysindians.com/articles/archives/0999/karl_may.html"&gt;Karl May&lt;/a&gt;, é divertido. Um autor alemão que escrevia histórias de faroeste. Mas Hitler não apenas achava divertido, era o seu autor favorito, e pior ainda, o seu &lt;i&gt;sábio&lt;/i&gt; favorito. Mantinha os livros de Karl May na cabeceira, e quando sob pressão, e estava sempre sob pressão, folheava esses livros em busca de sabedoria, conselhos de vida, soluções táticas. Juro, está &lt;a href="http://www.theatlantic.com/issues/2003/05/ryback.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse texto que linquei foi escrito por um sujeito que visitou a biblioteca pessoal de Hitler em Washington. Ele disse que Hitler sublinhou a lápis a seguinte passagem do satanista Ernst Schertel: "Aquele que não traz dentro de si sementes demoníacas nunca será capaz de criar um novo mundo." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso imaginar um adolescente que gosta de heavy metal lendo essa passagem e ficando empolgado, mas um adulto não. Ok, na verdade posso imaginar qualquer um ficando empolgado - eu fiquei, um pouquinho - mas só durante alguns segundos; depois a pessoa percebe a tolice disso, e muda de assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hitler não, foi em frente. Que paspalhão, Hitler era.&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;Almas Complexas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O problema de um livro como &lt;a href="http://www.cosacnaify.com.br/loja/detalhes.asp?codigo_produto=262"&gt;este&lt;/a&gt; é que você vê essas fotos bonitas, em preto e branco, de pessoas atormentadas e complexas entre livros, e depois percebe com um choque que é só o Haroldo de Campos, caramba. E olha, escrevendo, ainda por cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há livros assim no exterior, fotos P&amp;B muito bonitas, muito cheias de luz e sombra, mostrando a cara vincada de algum escritor realmente interessante. Daí países como o Brasil ou a Guatemala copiam o método com seus sucedâneos de escritor, e não é propriamente a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o aparato para mostrar que quem está ali, cercado de cinzeiros cheios e papéis, dramaticamente plantado no centro de espirais de livros, é uma alma rebelde, um pensamento indômito, ou qualquer um desses clichês de foto preto e branco, e tudo o que você vê é o Josué Montello franzindo a testa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também uma outra &lt;a href="http://www.cosacnaify.com.br/noticias/eder3.asp"&gt;fotografia&lt;/a&gt; do Haroldo de Campos, suponho que escrevendo numa máquina, com um pôster de &lt;i&gt;Laranja Mecânica&lt;/i&gt; atrás dele. O que me faz sonhar que sua campainha toque e seja alguém pedindo socorro, porque acabou de sofrer um acidente, e precisa urgentemente usar o telefone (&lt;i&gt;if you know what I mean&lt;/i&gt;). Cantariamos todos na chuva, não? &lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;THIS AZURE BOOK&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;See here in this azure book&lt;br /&gt;The imprimatur of the comic monster,&lt;br /&gt;Lord Lucipher of the ugly streets,&lt;br /&gt;Undoer of all pretty scams.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And see here above the watermark&lt;br /&gt;Where Magdalen wrote her curse&lt;br /&gt;A quotation from Vitruvius,&lt;br /&gt;Which you somehow cannot read.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thus your life is read by mongrels,&lt;br /&gt;And commented by sardines,&lt;br /&gt;And your tears are illustrations,&lt;br /&gt;And your sobs are lies and fleas...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-93091451?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/93091451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/93091451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93091451' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-93025334</id><published>2003-04-22T01:10:00.000-03:00</published><updated>2003-04-22T01:19:32.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Ateísmo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Minha principal objeção ao ateísmo é que ele é feio. Ele é feio... É como decorar mal a sua própria mente. Substitui  os vitrais de Chartres por um quadro de mendigos comendo laranjas em Lambeth. É o bicheiro, o rapper, o documentarista checo das visões de mundo. O Paulo César Pereio da mente humana. Sim, insisto: o ateu tira Deus da sua sala mental (não suficientemente &lt;i&gt;real, cru&lt;/i&gt;, entende?) e manda entrar o Paulo César Pereio pelado bebendo uísque. Com maior ou menor sofisticação, cada vez que um ateu fala, é o Paulo César Pereio que fala pela boca dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-93025334?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/93025334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/93025334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#93025334' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92961489</id><published>2003-04-21T00:20:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T00:21:12.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Complete a lacuna&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a)	Um livro não é papel. Um livro é feito de papel.&lt;br /&gt;b)	A mente não é o cérebro. A mente é feita de cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a)	Um mesmo livro pode ter várias edições ao longo do tempo.&lt;br /&gt;b)	Uma mesma mente _______________________________&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92961489?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92961489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92961489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92961489' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92917415</id><published>2003-04-20T01:11:00.000-03:00</published><updated>2003-04-21T06:13:13.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Insistindo, só para ser chato, pourquoi pas? Na Páscoa e tudo.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Você abriria mão de suas liberdades em nome da igualdade?&lt;br /&gt;Se respondeu sim, é de esquerda; se respondeu não, de direita. &lt;br /&gt;Se respondeu &lt;i&gt;depende, que liberdades&lt;/i&gt;, está em algum ponto no meio, estando mais à esquerda quanto mais liberdades estiver disposto a ceder, e mais à direita quanto menos liberdades estiver disposto a ceder.&lt;br /&gt;Me parece uma boa metodologia, uma variação da de Norberto Bobbio, que fez a distinção na base da prioridade dada à igualdade.&lt;br /&gt;Por mais que esperneie, ninguém está fora da linha esquerda-direita.&lt;br /&gt;E ninguém é desprezível por estar nesse ou naquele ponto da linha esquerda-direita.&lt;br /&gt;É uma decisão pessoal.&lt;br /&gt;Mas notem uma coisa:&lt;br /&gt;Por definição, quanto mais à esquerda, mais a pessoa quer decidir por todas as outras.&lt;br /&gt;Por definição.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92917415?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92917415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92917415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92917415' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92869681</id><published>2003-04-19T00:03:00.000-03:00</published><updated>2003-04-19T00:34:16.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;A Sabedoria Viva de Alexandre Soares Silva&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O ponto alto da história humana, digo a mundana, não a sagrada, foi atingida por &lt;a href="http://www.accuradio.com/"&gt;Cole Porter&lt;/a&gt;, e por mim cada vez que ouço Cole Porter, e por você também. Mas dois minutos depois de terminada a música, se a ouvimos cada um em seu próprio apartamento, nosso espírito desinfla como uma bola que levou uma tesourada. Mas nunca quando ouvimos juntos; já reparou? Nunca, nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum ponto lá pela metade do século vinte, um pouco antes até, a humanidade descobriu um jeito de ser muito bacana. Durou até que Frank Sinatra ficasse careca. A humanidade caiu, caiu; quem era bacana envelheceu, passou a usar óculos grandes demais, dentaduras, perucas; que triste, que triste; seus filhos foram feinhos e tragicamente sem-graça; mas seus netos, às vezes – só às vezes – seus netos e netas, às vezes, colocam música da Broadway dos anos trinta, se vestem bem – é raro, mas acontece – e a humanidade volta a ser bonita durante uma hora ou duas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mundanidade tem suas próprias asceses, seus próprio santos e profetas. O melhor da mundanidade, presta atenção – o melhor da mundanidade é sagrado à sua própria maneira. No céu os santos dançam ao som de &lt;i&gt;Paris Loves Lovers&lt;/i&gt;. Uns com os outros, chérie. Uns com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei lá eu o que se passa no céu, mas você acha que os filmes de Fred Astaire são uma imagem de quê? Onde mais existe aquela Veneza em preto-e-branco, aquele coreto em preto-e-branco, onde um dia você e eu nos protegeremos da chuva? Huumm? &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;A Sabedoria Viva de Alexandre Soares Silva (Melhores Momentos)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Se você for muito mundano, acabará encontrando um misticismo da mundanidade. Onde playboys se tornam santos, e no entanto continuam playboys. Cavando embaixo da toalha de piquenique se encontra um caminho que vai dar em Deus. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Meu mantra&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;You´re the top, you´re the top, you´re the top...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92869681?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92869681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92869681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92869681' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92819670</id><published>2003-04-18T01:31:00.000-03:00</published><updated>2003-04-18T03:08:19.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Relendo “Hannibal”&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.randomhouse.com/features/thomasharris/home.html"&gt;Thomas Harris&lt;/a&gt; pode não ser um estilista, mas há delicadezas nele, não verbais propriamente, mas de imaginação, que me agradam muito. Morre um agente do FBI em &lt;i&gt;Hannibal&lt;/i&gt;, que mal havia aparecido no livro - e Harris diz que tanto Clarice quanto sua amiga Ardelia tinham uma certa queda por ele, quando eram suas alunas de tiro, e que  &lt;i&gt;They had tried to read his tattoo through his shirtsleeve.&lt;/i&gt; Só isso, e não se fala mais dele, praticamente. Gosto muito desse detalhezinho, é vívido e sutil. E &lt;i&gt;Hannibal&lt;/i&gt; está cheio de momentos assim. Certo, ninguém falou em grande literatura, é comercial; mas como é bom, no meio de um livro que ninguém considera arte, encontrar momentos de grande arte, ou ao menos de delicada arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sábio (suponho que fui eu) disse: “Nem sempre a Grande Arte vem pela estrada da Grande Arte”. &lt;i&gt;Or something &lt;/i&gt;. E é de fato divertido encontrar a arte escondida em arbustos, onde ninguém procura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa sobre &lt;i&gt;Hannibal&lt;/i&gt;, claro, é que Hannibal Lecter é um grande personagem. Sim, é sim. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Murderer of English Sentences&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;i&gt;The War Against Cliché&lt;/i&gt;, Martin Amis diz que Thomas Harris é "a serial murderer of English sentences, and Hannibal is a necropolis of prose". E o pior, e mais estranho, é que Lecter concordaria, e gostaria muito de Martin Amis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei das delicadezas de imaginação, mas há também grosserias de imaginação. Sem dúvida. Personagens antipáticos suam. Canalhas têm mau-hálito. Mas, &lt;i&gt;by God, my boy&lt;/i&gt;, eu adoro esse livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nele há um monstro deformado que vive numa mansão gigantesca, e bebe martinis misturados com lágrimas de criancinhas. Se os irmãos Grimm tivessem coletado isso como conto de fadas, as pessoas diriam, ah, o povo, o gênio imaginativo do povo. &lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;Lecter do Bem&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O homem mais próximo de um Hannibal Lecter bondoso na vida real: Vladimir Nabokov. Gosto perfeito, sentidos despertos. Certo, não gostava de música, não tocava cravo, não construía teremins. Não era &lt;a href="http://www.ardisbooks.com/pub_archives_vn3.asp"&gt;estranhamente imóvel&lt;/a&gt;, não tinha voz metálica. Tudo bem, tudo bem. Toda comparação entre duas coisas que não são a mesma coisa tem os seus limites. Mas mesmo assim, mesmo assim. O mais próximo que a vida real fez de Hannibal Lecter. E não estranharia se soubesse que ele tinha um &lt;a href="http://mappa.mundi.net/cartography/Palace/"&gt;palácio da memória&lt;/a&gt;. Nabokov via &lt;a href="http://www.rense.com/ufo6/med.htm"&gt;letras com cores&lt;/a&gt; e tinha, eu já disse mas repito, um &lt;a href="http://www.nypl.org/research/chss/epo/nabokov/"&gt;gosto perfeito&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E insisto no &lt;i&gt;bondoso&lt;/i&gt;. Acho que Paulo Francis estava errado, quando disse que Nabokov não tinha &lt;i&gt;the milk of human kindness&lt;/i&gt;. Não deve ter lido Nabokov o suficiente. Meu Deus, Nabokov estava cheio de &lt;i&gt;milk of human kindness&lt;/i&gt;. Dava pra fazer um &lt;i&gt;gruyère of human kindness&lt;/i&gt; com ele.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Palmira&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não posso, suspeito que ninguém pode, falar de Nabokov sem falar de &lt;i&gt;Palmira&lt;/i&gt;, do &lt;a href="http://radamanto.weblogger.terra.com.br/"&gt;Radamanto&lt;/a&gt; (post de 1 de abril). E ah, sim: boa Páscoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92819670?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92819670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92819670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92819670' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92754508</id><published>2003-04-17T00:01:00.000-03:00</published><updated>2003-04-17T03:17:12.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;O Mais Nobre Esporte&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Politicamente incorreto é um esporte. Trata-se de contrariar politicamente corretos. Eis tudo. Não é uma filosofia, uma religião. Não diga ao sujeito que está tentando ser politicamente incorreto, ah, que bobagem, esqueça os politicamente corretos, não seja politicamente incorreto só pra chocar, pára com isso, cansei. É como dizer para um atirador olímpico atirar onde lhe der na veneta, chega disso de atirar em alvos, que artificial, que coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu convido a todos, pratiquem, pratiquem. Nada melhor que causar um chilique em cinco blogueiros antes dos waffles matinais. De tarde você descobre cinco posts furiosos antivocê. Significa, cinco pontos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma boa medida de falta de inteligência, ou QI negativo, é a capacidade de se irritar com idéias. Significa que nunca as ouviu. Significa que não leu muito, nem pensou muito, mas mandou muitas mensagens irritadas. Este sujeito defendendo isso-ou-aquilo! (significa que você nunca leu livros sobre isso-e-aquilo? Não sabia que há prós e contras?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O politicamente correto é um movimento que surgiu não sei bem quando de pessoas que colocaram as cabeças em cima de um muro, como patos num stand de tiro, e disseram: “Por favor, choquem-nos”. Ser capaz de resistir a isso é sinal de falta de vitalidade, espírito esportivo, &lt;i&gt;zest for life&lt;/i&gt;, essas coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, vamos. Experimenta.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92754508?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92754508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92754508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92754508' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92696719</id><published>2003-04-16T01:51:00.000-03:00</published><updated>2003-04-17T00:54:46.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Aquela história dos olhos de quem vê, lembram?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dias, o &lt;a href="http://nacaradogol.blogspot.com/"&gt;Rafael Lima&lt;/a&gt; (post do dia 8 de abril), o &lt;a href="http://escrotorio.blogspot.com/"&gt;Lesser&lt;/a&gt; (dia 9 de abril) e o &lt;a href="http://deuscanino.blogspot.com/"&gt;Dante&lt;/a&gt; (10 de abril, “quite charming”) escreveram palavras gentis sobre o meu livro. Agradeço. Peço que leiam, vão lá e leiam, e depois voltem, e leiam o resto que escrevi aí embaixo, está bem? Se bem que a gripe está afetando a minha musa (mas não as deles). E falando dela...&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;...A Musa Seduzida&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Um escritor sentou à mesa para escrever um ensaio contra a inspiração, mas, muito banalmente até, a inspiração não veio. Suspirando, disse: Musa, Musa, apareça. Só quero negá-la, não caluniá-la. Direi sempre que você é linda. Só lamento que inexistente... Mas venha, venha, Musa minha. (E a Musa veio.)&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;A Prece Vermelha&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Todas as noites, desde pelo menos o século XIX, os comunistas se ajoelham na beira da cama, fazem o sinal-da-cruz comunista, e rezam para que a inevitabilidade da decadência dos Estados Unidos seja realmente muito, muito inevitável.&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;Br&gt; &lt;b&gt;Pensem bem&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Eu só sei que vocês ficam aí insistindo em matar e traficar drogas, e em fazer filmes sobre assassinos e traficantes de drogas, e em ver filmes sobre assassinos e traficantes de drogas – pra quê? Que mau gosto! Sentem na grama, abram uma garrafa de champagne, e façam um piquenique lendo &lt;a href="http://storm-magazine.com/arquivo/1/Artes/a_ago2001_1a.htm"&gt;Colette&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É simples assim, chama-se livre arbítrio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92696719?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92696719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92696719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92696719' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92630795</id><published>2003-04-15T01:52:00.000-03:00</published><updated>2003-04-15T01:52:50.250-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Karandirooh &lt;/b&gt; - (EUA, 1942) – Comédia amalucada de Howard Hawks, com roteiro de Ben Hecht. &lt;i&gt;Karandirooh&lt;/i&gt; foi o quinto e último filme da dupla Cary Grant / Katherine Hepburn, e narra a história de Oswald Truegood (Grant), um colecionador de ovos de avestruz que é julgado e preso no Brasil por não saber dançar samba. Não perca a cena em que Grant e Hepburn escapam da prisão disfarçados de gorila. E, aconteça o que acontecer, não veja a refilmagem feita por Hector Babenco (2003), com Rodrigo Santoro no papel de Katherine Hepburn.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92630795?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92630795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92630795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92630795' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92559287</id><published>2003-04-14T00:17:00.000-03:00</published><updated>2003-04-15T01:52:28.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;A Multidão Sozinha&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A esquerda, que é todo mundo, se acredita sozinha. Negam que sejam todos de esquerda. Cada um assume que é só ele, e mais uns poucos. O que dá uma multidão de gente dizendo que está sozinha, de costas contra a parede, e que os dois ou três sujeitos lá no meio, que se declaram de direita, são uma turba. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se os dois ou três sujeitos dizem que a situação é a inversa, a multidão ri da idéia de que seja uma multidão. Dois milhões de bocas chamam os três sujeitos de paranóicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante muito tempo eu lia as colunas de Carlos Heitor Cony na Folha, e ele sempre assumia a postura romântica de “a única voz clamando contra Fernando Henrique Cardoso”. Claro, se fosse verdade, seria muito romântico mesmo. Mas o que dava o efeito cômico era que todas as outras colunas na mesma página estavam falando mal de Fernando Henrique Cardoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de novo nisso. É uma velha, muito velha postura romântica. Chesterton descreveu Chamberlain assim, no livro &lt;a href="http://www.pagebypagebooks.com/Gilbert_K_Chesterton/Heretics/Mr_Bernard_Shaw_p1.html"&gt;&lt;i&gt;Heretics&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;: “He has one power which is the soul of melodrama--the power of pretending, even when backed by a huge majority, that he has his back to the wall.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esquerda é assim agora, e até acho que são sinceros, que se sentem assim mesmo. Para cada pessoa de esquerda, a multidão não é suficientemente de esquerda; logo, para eles, não são de esquerda de modo algum. Os jornais, a mesma coisa. O sujeito de esquerda acha que a Folha não é suficientemente de esquerda, e que portanto não é de esquerda de modo algum. Só ficaria satisfeito se as manchetes dissessem MORRAM PORCOS CAPITALISTAS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umas cem pessoas, digamos, apareceram na Internet, aqui, nos Estados Unidos, na Europa, e fazem oposição à esquerda. Aparecem na Internet justamente porque é o único lugar que restou. Mas isso é intolerável para o sujeito de esquerda que dá uma entrada na Internet e se sente sufocado por uns três blogs que se linkam mutuamente. “Isso é intolerável, intolerável! Olha só, três blogs de sujeitos que não são de esquerda! E linkam outros blogs que não são de esquerda!”  E mal podem respirar, e rolam no chão com dores no fígado.*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou lhes dizer uma diferença essencial, psicológica, não-ideológica, entre pessoas de esquerda e de direita. Pessoas de direita são &lt;i&gt;mais civilizadas&lt;/i&gt; que as pessoas de esquerda. E provarei isso em três passos mui simples. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) A convivência com pessoas de opiniões diferentes civiliza.&lt;br /&gt;2) Não há pessoa de direita que não tenha amigos de esquerda. Não há. Pelo simples fato de que quase todo mundo é de esquerda. Logo, a pessoa de direita faz amizades com pessoas de esquerda, casa com pessoas de esquerda, tem filhos e patrões de esquerda. Pode até assumir um tom raivoso contra a esquerda quando está escrevendo, mas pessoalmente faz piadas a respeito, e zomba gentilmente, carinhosamente, das opiniões que acha de titica. E portanto tem uma reação civilizada em relação à esquerda.&lt;br /&gt;3) Muito poucas pessoas de esquerda conhecem alguém de direita. Porque há tão poucas pessoas de direita**. Logo, não são civilizadas pelo contato com pessoas que pensam diferentemente. O resultado é que encaram pessoas de direita como monstros. E reagem com ódio. Mandam emails com palavrões, boicotam livrarias, ameaçam de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Toooodas as pessoas de esquerda? Não, claro que não.&lt;br /&gt;**Minha definição de direita (roubada do &lt;a href="http://direita.blogspot.com/"&gt;Giovani&lt;/a&gt;): o oposto de esquerda. Se a esquerda se caracteriza por querer que o estado seja forte e onipresente, a direita é o contrário. Ou seja: seu tio bronco que defende Mussolini não é de direita, é de esquerda como você, &lt;i&gt;Billy Boy&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92559287?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92559287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92559287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92559287' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92522149</id><published>2003-04-13T04:49:00.000-03:00</published><updated>2003-04-13T04:53:30.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;B&gt;Borges e Burgin&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Em 1967 um professor americano chamado Richard Burgin entrevistou Borges durante horas e horas (o detalhe esquisito é que ele conseguiu o contato com uma brasileira chamada Mosca).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;BURGIN: Você é um escritor metafísico, mas tantos escritores, como por exemplo Jane Austen, Fitzgerald ou Sinclair Lewis, parecem não ter tido nenhum sentimento metafísico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BORGES: Quando você diz Fitzgerald, está pensando em Edward Fitzgerald, não? Ou Scott Fitzgerald?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BURGIN: Sim, o último.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BORGES: Ah, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BURGIN: Eu só quis mencionar o nome de um escritor que essencialmente não tinha nenhum sentimento metafísico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BORGES: Ele estava sempre na superfície das coisas, não? Afinal de contas, por quê não deveríamos fazer isso, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BURGIN: É claro que a maioria das pessoas vive e morre sem jamais pensar, aparentemente, no problema do tempo e do espaço e do infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BORGES: Bem, porque elas não se espantam com o universo. Não se espantam com as coisas. Não se espantam consigo mesmos. É verdade. Nunca se espantam com nada, não é? Não acham estranho estarem vivendo. Lembro que a primeira vez que senti isso foi quando meu pai me disse, “Que estranho”, ele disse, “que eu esteja vivendo, como se diz, atrás dos meus olhos, dentro da minha cabeça.(...)” E então, foi a primeira vez que senti isso, e imediatamente comecei a pensar nisso, porque eu entendia o que ele estava dizendo. Mas muitas pessoas não conseguem. E dizem, “Bom, mas onde mais você poderia viver?”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Gosto bastante de Scott Fitzgerald, mas sempre gostei dele com algum desprezo, e acho que a explicação está aí.) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrevista foi publicada em forma de livro, “Conversations with Jorge Luis Borges”. Ah, na página 50 desse livro há esta bela defesa do romance policial - que é, ao mesmo tempo, uma bela condenação do romance muderninho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;BORGES: ...as pessoas pensavam neles (os romances policiais), como devem ter pensado dos Westerns, como mera diversão. Acho que esses livros fizeram muito bem, porque lembraram aos escritores que o enredo é algo muito importante. Se você lê um romance policial, e depois lê outro romance qualquer, a primeira coisa que você percebe – é injusto, claro, mas acontece – é achar os outros livros sem forma. Ao passo que no romance policial tudo é perfeitamente encaixado.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só mais isto, sobre Sartre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;BORGES: Acho que o existencialismo favorece um certo tipo de vaidade. Conheci Sartre e ele me elogiou. Naturalmente, é uma grande coisa para um argentino ser elogiado por um francês, não? Mas nunca gostei dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BURGIN: Pessoalmente, você quer dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BORGES: Não, não, não. Não gosto de pessoas que se dedicam à propaganda. Não acho que ele devia ter permitido que chamassem um café de Café Existencialismo. Acho que o Bispo Berkeley não faria esse tipo de coisa, ou Schopenhauer. E não conseguia pensar nele como um cavalheiro, embora, é claro, essa seja outra palavra antiquada, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BURGIN: Infelizmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BORGES: Infelizmente, sim. Acho que a espécie está morrendo, ou já morreu. É uma grande pena.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92522149?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92522149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92522149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92522149' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92476184</id><published>2003-04-12T05:18:00.000-03:00</published><updated>2003-04-12T23:05:12.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;A Musa Monótona &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Polêmica num jornal. Professores de literatura sempre escrevem cartas indignadas contra jornalistas polêmicos. E pedem sempre a mesma coisa: chatice. Ah, claro, eles usam outras palavras para designar a chatice que querem e amam: &lt;a href="http://www.weblivros.com.br/especial/protesto.shtml"&gt;fundamentação teórica&lt;/a&gt;, ponderação, equanimidade, o que seja. Mas o que querem é chatice mesmo. Esse é o negócio deles; estão no negócio da monotonia; vendem monotonia por hora e por lauda. Um acadêmico é, para usar as expressões do &lt;a href="http://puragoiaba.blogspot.com/"&gt;Ruy Goiaba&lt;/a&gt;, &lt;i&gt;um virtuose da chatice, um Andrés Segovia do pé-no-saco.&lt;/i&gt; Pode até parecer, em alguns momentos, que eles estão apaixonados pelos assuntos que ensinam: topologia, areopagítica, sânscrito, crítica genética; mas não, nein. Sua paixão é causar nos alunos, nos leitores de jornal, e (o que é muito pior) em si mesmos, os efeitos clássicos da musa monótona: as pálpebras pesadas, as maxilas travadas dos bocejos escondidos. E o jornalismo cedeu, se matou. Em breve toda crítica de jornal virá com bibliografia, e você vai ter que ler tudinho e fazer fichamentos. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92476184?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92476184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92476184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92476184' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92412732</id><published>2003-04-11T03:40:00.000-03:00</published><updated>2003-04-11T05:08:58.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Razão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Um filósofo franzino divulgou que iria vencer um peso-pesado usando métodos puramente racionais. Os jornais chamaram a luta de “a Batalha da Força e da Inteligência”, e sessenta mil pessoas foram ao estádio. Mas o filósofo não aparecia. Um homem musculoso foi até o corner em que ele devia estar, e entregou ao treinador um bilhetinho em que se lia: “Este homem lutará por mim; coisa que, todos concordarão, é perfeitamente racional.” E quando se descobriu que o dinheiro da bilheteria havia sumido, todos também concordaram que isso era perfeitamente racional. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;História do Rei de Champagne&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Uma rainha viu cinco filhos seus serem assassinados no berço. Quando ficou grávida do sexto, decidiu não deixá-lo nascer até que fosse forte o suficiente para se defender de seus inimigos. E a criança foi crescendo lá dentro. Professores sussurravam aulas de latim, grego, poesia, história, matemática e política junto à barriga da mãe, e uma voz era ouvida respondendo os exercícios. Meninos de sua idade eram arrastados para o lado do trono, e respondiam às perguntas do príncipe sobre como era o mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, devido ao desconforto causado pelo tamanho do filho, que já era um homem, a rainha morreu. Durante dois dias o príncipe se recusou a sair; mas quando afinal o cheiro o sufocou, gritou que rasgassem a barriga da mãe, ou morreria. Um cortesão fez um rasgo com uma espada no cadáver da rainha, e de lá de dentro saiu o novo rei, molhado, sangrado, transido de frio. Diz a história que parecia muito assustado, e que durante muito tempo ficou na escadaria de pedra, de costas para o cadáver da mãe, chorando com a cara no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92412732?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92412732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92412732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92412732' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92336406</id><published>2003-04-10T00:48:00.000-03:00</published><updated>2003-04-10T03:50:30.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Razão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Dois amigos discutem. Um tenta usar a razão para convencer o outro, e é perfeitamente lógico. Mas o outro não se convence; diz “É, mas...” - e encolhe os ombros.  Razão é aquilo que vem logo antes de um "É, mas..." &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Crianças&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Na quadra do meu condomínio, cinco ou seis moleques gritam palavrões com vozes grossas de criminosos. Até as conjunções são palavrões. Isto é a infância, jovem mamãe. Se um presidiário desavisado interrompesse um pouquinho suas sodomias e decapitações matinais e chegasse perto da quadra, ficaria chocadíssimo com a boca desses molequinhos. Sim, o seu filho, o seu meigo filho Adolfinho, chocaria um presidiário.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;No máximo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/americas/1561791.stm"&gt;Condoleezza Rice &lt;/a&gt;leu Guerra e Paz em russo, tocou piano com Yo-Yo Ma. Mas tudo que Arnaldo Jabor sabe dizer sobre ela é que ela tem "... umas pernas bonitas de negona e cabelo de chapinha", e que ela “quer ser branca”. Humm. Arnaldo Jabor quer ser branco também, mas no máximo consegue ser carioca.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92336406?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92336406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92336406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92336406' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92267396</id><published>2003-04-09T01:03:00.000-03:00</published><updated>2003-04-09T04:18:48.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Modéstia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Uma pessoa, se acha que é um gênio, deveria ser capaz de dizer isso com a mesma calma com que diz, se tem uma maçã na mão, que tem uma maçã na mão. E se você tem uma maçã boa na mão, é meio torpe dizer que na verdade é uma maçã podre.&lt;br&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;b&gt;Autoridade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;"Não tenha medo da palavra autoridade. Acreditar em coisas baseado na autoridade de alguém significa apenas acreditar nelas porque isso lhe foi dito por uma pessoa que você julga confiável. Noventa e nove por cento das coisas nas quais você acredita são acreditadas na base da autoridade. Eu acredito que exista um lugar chamado Nova Iorque. Não vi esse lugar pessoalmente. Não poderia provar com raciocínios abstratos que tal lugar deve existir, acredito nele porque pessoas confiáveis me disseram para fazê-lo. O homem comum acredita no sistema solar, átomos, evolução, e a circulação do sangue, na base da autoridade – porque os cientistas disseram. Todas as afirmações históricas do mundo são acreditadas na base da autoridade. Nenhum de nós viu a Conquista Normanda ou a derrota da Armada. Nenhum de nós poderia prová-las com lógica pura do modo com que se prova coisas na matemática. Acreditamos nelas simplesmente porque pessoas que as viram deixaram textos que nos contam sobre elas: portanto, baseados na autoridade. Um homem que desprezasse a autoridade em todas as coisas do mesmo modo que outras pessoas desprezam a autoridade na religião teria que se contentar em não saber coisa alguma na vida."&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Sempre quis dizer isso, mas C.S.Lewis disse antes, em “Mere Christianity”, livro 2, capítulo 5)&lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;A.E. Housman&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Amelia mixed the mustard,&lt;br /&gt;She mixed it good and thick;&lt;br /&gt;She put it in the custard&lt;br /&gt;And made her Mother sick,&lt;br /&gt;And showing satisfaction&lt;br /&gt;By many a loud huzza&lt;br /&gt;“Observe” said she “the action&lt;br /&gt;Of mustard on Mamma.”&lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Guerra&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Só &lt;a href="http://story.news.yahoo.com/news?tmpl=story2&amp;cid=1514&amp;e=4&amp;u=/afp/20030408/wl_mideast_afp/iraq_war_marines_prison_030408163048"&gt;isto&lt;/a&gt; . Isto também é “collateral damage”?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92267396?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92267396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92267396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92267396' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92198112</id><published>2003-04-08T01:08:00.000-03:00</published><updated>2003-04-08T01:45:53.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Os chocáveis&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Antigamente a esquerda chocava, a direita ficava chocada. A imagem da direita era um senhor bronco, de óculos de aro preto e pesado, cara de fúria, e veias em relevo no pescoço. Era muito fácil chocar esse sujeito, e todo o rock and roll foi criado só pra isso. Todos aqueles jovenzinhos deslizando suas brancas e murchas nádegas na lama de Woodstock, foi só pra isso. A entrevista da Leila Diniz no Pasquim. Só pra isso. Só pra fazer a boca desse cara se abrir de espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é bem o contrário, é a esquerda que se choca com tudo. O politicamente correto é a versão da esquerda das veias saltadas no pescoço e na testa daquele senhor bronco. Eles se tornaram o senhor bronco, só que com um óculos de modelo diferente, e se chocam com tudo: o uso da palavra &lt;i&gt;preto&lt;/i&gt; numa piada, a defesa da monogamia, dos patrões, do papa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto isso o pôster de Che Guevara foi trocado pelo de &lt;a href="http://www.permanencia.org.br/Corcao/corcao.htm"&gt;Gustavo Corção&lt;/a&gt;. Aquele velhinho carcomido foi o verdadeiro Rebelde do Século, porque as suas idéias, se postas em prática, mudariam muito mais o mundo do que um simples socialismo utópico de segunda.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Tenho que dizer&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ei, &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.hbo.com/larrydavid/"&gt;Curb Your Enthusiasm&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;. A série da HBO, com Larry David, co-produtor de &lt;i&gt;Seinfeld&lt;/i&gt;. Esperei meses pra ver, e é ainda melhor do que eu esperava. Num mundo ideal, sacrificariam os sobreviventes do elenco de &lt;i&gt;Beverly Hills 90210&lt;/i&gt; para, com a comida poupada, pagar Larry David e não cancelar o programa nunca. E não tem sequer risadas de fundo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92198112?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92198112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92198112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92198112' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92125944</id><published>2003-04-07T00:59:00.000-03:00</published><updated>2003-04-07T01:12:07.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Uma pequena demonstração de como os escritores brasileiros são covardes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplificando muito, há duas escolas de romances policiais: a inglesa e a americana. A escola inglesa é aquela em que o detetive é cerebral, o assassinato é um quebra-cabeças, e a história se passa num ambiente de classe alta, uma casa de campo, ou mesmo algo exótico como um zoológico em Bombaim ou um monomotor francês sobrevoando o Egito. A escola americana é aquela em que o detetive é durão, o assassinato é sórdido, e a história se passa em ruas pobres, becos mijados, docas cagadas. Mansões podem aparecer nas duas escolas, mas na inglesa a filha do dono da mansão é viciada em romances policiais e estuda arqueologia. Na escola americana a filha do dono da mansão é viciada em heroína e fica chupando o polegar o tempo todo para demonstrar que é ninfomaníaca e ainda por cima meio retardada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro, &lt;i&gt;ça va sans dire&lt;/i&gt;, que há ingleses que escrevem segundo a escola americana, americanos que escrevem segundo a escola inglesa, e autores de qualquer nacionalidade que misturam as duas escolas, um pouquinho, só para complicar. Mas vamos ignorar essas sutilezas um segundo para continuar com o argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por algum motivo, foi convencionado que a escola americana é literatura, mas a escola inglesa não. Para mim essa convenção é misteriosa: por quê raios matar um traficante com uma pá num beco mijado é literário, mas matar um coronel enfiando uma adaga malaia na nuca dele não é literário? Suponho que tem algo a ver com o que os críticos, lá no jargão deles, chamam de &lt;i&gt;realidade&lt;/i&gt; (uma superstição como outra qualquer). Mas enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, ensinaram aos autores brasileiros que a escola americana é literária, e a inglesa não. E portanto, como &lt;i&gt;good little, good little boys&lt;/i&gt; que são, escritores brasileiros se puseram a escrever prateleiras inteiras de romances policiais segundo a escola americana, e nunca a inglesa. Nunca, nunca a inglesa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém com coragem não agiria assim. Mas os escritores brasileiros, antes de começarem a escrever, perguntam aos críticos se podem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92125944?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92125944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92125944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92125944' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92069990</id><published>2003-04-06T00:36:00.000-03:00</published><updated>2003-04-06T00:36:36.653-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Stiff upper lip&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;“There are times when there's something to be said for stiff-upper-lipped English public-school emotional repression, and war is one of them.”&lt;br /&gt;(&lt;a href="http://www.suntimes.com/output/steyn/cst-edt-steyn30.html"&gt;Mark Steyn&lt;/a&gt;, falando sobre a relativa calma da imprensa inglesa, em comparação com uma certa histeria e derrotismo da imprensa americana. Tradução ruinzinha: “Há momentos em que se deve defender a repressão emocional, estóica, característica das escolas públicas inglesas – e a guerra é um deles.”)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92069990?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92069990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92069990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92069990' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-92025117</id><published>2003-04-05T02:16:00.000-03:00</published><updated>2003-04-05T02:39:06.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Filisteus&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;No filme &lt;i&gt;Sunshine&lt;/i&gt;, de Istvan Szabo, Ralph Fiennes é um esgrimista judeu na Hungria, na década de trinta. Quando leis anti-judeus são promulgadas, ele pede o conselho do presidente do clube militar, que faz uma cara de nojo e diz algo mais ou menos assim: “Antisemitas são sempre filisteus. É algo de terrível mau-gosto. Não sei quanto tempo vou agüentar isso...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me parece verdade, completa verdade. Não é por acaso que Hitler e Stalin e Lênin eram filisteus grotescos (e não nos esqueçamos daquele palhacinho serial-killer que pinta quadros de palhacinho chorando). Eis porque acho que a estética é uma disciplina superior à ética - porque a estética &lt;i&gt;contém&lt;/i&gt; a ética. O mal é uma forma de mau gosto. O que é o bom gosto? É simples. Gostar do que é bom. Não gostar do que é mau. (Repita comigo: &lt;i&gt;gostar do que é bom. Não gostar do que é mau.&lt;/i&gt; Simples, &lt;i&gt;nein?)&lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Cultivo do gosto&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É preciso aprender a abominar a crueldade como se abomina a ruindade de um quadro kitsch. Ter a mesma sensação que se tem quando se ouve música muito ruim numa sala e se é obrigado a sair dela. E se me objetarem com o clichê do nazista culto, que toca piano e cita Goethe, digo que a solução para o nazista culto não é desenvolver nele um súbito mau-gosto, uma paixão repentina pela trilha sonora de Titanic. Se falhou em relação ao bom gosto, é porque deveria ter mais, não menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço já vozes melífluas me perguntando o que é, afinal, o bem. Sei lá eu o que é o bem; mas é algo que reconhecemos em quadros bons, poemas bons, músicas boas,  pessoas boas. Algo está simplesmente &lt;i&gt;certo&lt;/i&gt; nessas coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-92025117?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92025117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/92025117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#92025117' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91967169</id><published>2003-04-04T03:51:00.000-03:00</published><updated>2003-04-11T06:20:41.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Vamos, negue. I double dare you.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; Todo mundo é esnobe. Você não se apaixonaria por uma mulher chamada Vandicleusa.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Arsène Lupin, Gentleman Cambrioleur&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O mundo precisa de ladrões de jóias que se vistam de preto e toquem piano. Numa das histórias de Maurice Leblanc, o &lt;i&gt;gentleman-cambrioleur&lt;/i&gt; Arsène Lupin manda uma carta para um rico ignorantão. O mundo ficou mais bonito para mim depois que eu li essa carta. Espera, vou procurar o livro e citar corretamente, vale a pena:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Senhor barão,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, na galeria que une seus dois salões, um quadro de Philippe de Champaigne de execução excelente e que me agrada muitíssimo. Seus Rubens são também do meu gosto, tanto quanto o Watteau menor. No salão da direita,  destaco a credência Luís XIII, as tapeçarias de Beauvais, o velador Império assinado por Jacob e o baú Renascença. No da esquerda, todo o mostruário de vidro de jóias e miniaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esta vez, me contentarei com esses objetos que serão, creio, de fácil saída. Peço-lhe, pois, que os faça embalar decentemente e expedir em meu nome, com porte pago, para a estação de Batignolles antes de oito dias. Sem isso, eu próprio os deslocarei na noite de quarta-feira, 27, ou quinta, 28 de setembro, e, como é justo, não me contentarei com os objetos acima indicados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queira desculpar o pequeno estorvo que lhe causo e aceitar a expressão de meus sentimentos de respeitosa consideração.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Arsène Lupin&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;P.S. – Sobretudo não me envie o Watteau maior. Embora tenha pago por ele mil francos no Hotel de Vendas, não passa de uma cópia, tendo sido o original queimado, sob o Diretório,  por Barras, numa noite de orgia. Consulte as memórias inéditas de Garrat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faço questão também da corrente com pedras Luís XV, cuja autenticidade me parece duvidosa."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Adoro o detalhe do “...expedir em meu nome, &lt;i&gt;com porte pago&lt;/i&gt;”. Coisas simples assim me fazem feliz.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Gentleman-cambrioleur&lt;/i&gt; - está aí um curso do SENAI  que eu apoiaria. Malditas nossas escolas que não treinam as crianças para a profissão de ladrão sofisticado de jóias em Cap d'Antibes. Só ladrões barrigudos que nunca leriam as memórias inéditas de Garrat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, é claro: o dono da casa não segue a recomendação de Lupin, e chama a polícia, que vigia a casa. Os objetos especificados, mais outros (tapeçarias, castiçal do Regente, candelabros Luis XVI, e uma Virgem do século VII), somem. O detalhe: Lupin estava preso nessa época, numa cela na prisão de Malaquis. Essa história aparece num livro chamado, justamente, &lt;i&gt;Arsène Lupin, Gentleman Cambrioleur&lt;/i&gt;, que foi publicado no Brasil como &lt;i&gt;Ladrão de Casaca&lt;/i&gt;, traduzido por Paulo Hecker Filho e publicado pela Nova Fronteira. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Eureca!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Se todos os presos usassem máscaras e uniformes listrados, as rebeliões iam ficar mais charmosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91967169?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91967169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91967169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#91967169' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91895101</id><published>2003-04-03T02:43:00.000-03:00</published><updated>2003-04-05T03:10:51.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Vejam lá&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Hoje lhes peço que vejam a entrevista que dei ao &lt;a href="http://polzonoff.blogspot.com/"&gt;Paulo Polzonoff&lt;/a&gt; (post do dia 2 de Abril), e a crítica que ele escreveu do meu romance; verão que o seu gentil narrador, este mesmo que vos fala, às vezes resvala numa ocasional assholice, falando mal de supostos colegas de profissão - movido pelo que pode parecer despeito, mas não é, é o fogo sagrado da verdade, ou algo muito parecido. Humm. E verão que o Polzonoff foi inenarravelmente gentil comigo e meu livro. Bem, vão lá - e tenham um bom dia.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Esperem!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Mas não, não posso deixar que vocês partam sem antes lhes oferecer um poema que seja. Czeslaw Milosz (na tradução de Robert Hass):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;It's not up to me to know anything&lt;br /&gt;about Heaven or Hell.&lt;br /&gt;But in this world there is too much &lt;br /&gt;ugliness and horror.&lt;br /&gt;So there must be, somewhere, goodness and truth.&lt;br /&gt;And that means somewhere God must be.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(um trecho do poema "Helene's Religion", do livro &lt;a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/0374526230/qid=1049356488/sr=1-19/ref=sr_1_19/002-3637830-4440816?v=glance&amp;s=books"&gt;"Road-Side Dog"&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, só isso. Podem ir. Divirtam-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91895101?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91895101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91895101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#91895101' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91818997</id><published>2003-04-02T01:15:00.000-03:00</published><updated>2003-04-02T01:50:09.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Meu passado comunista&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Fui comunista uma vez, quando era adolescente. Durou cinco minutos durante uma noite de insônia. Decidi que era razoável e justo; mais ainda: decidi que era empolgante. Fiquei repetindo para mim mesmo: &lt;i&gt;Sou comunista! Sou comunista!&lt;/i&gt; Fiquei me visualizando depois da revolução, dando ordens, mandando executar meus inimigos (na maioria apresentadores de televisão, mas incluindo uma professora de geometria chamada Olanyr, que era má, e uma professora de matemática chamada Neves, que era perneta. E má.) Me imaginei num vagão de trem só para mim (&lt;i&gt;Camarada Soares! Os últimos despachos de Moscou&lt;/i&gt;), com duas coristas sentadas no meu colo (visualizei até as &lt;i&gt;mouches&lt;/i&gt; nos lábios delas), bebendo champanhe, e lendo as obras proibidas de algum degenerado autor burguês que eu secretamente apreciaria. Devo ter imaginado, também, minhas duas dachas gigantescas na Mata Atlântica, onde promoveria orgias ouvindo Irving Berlin. Mas cinco minutos depois percebi, para usar um termo caro à patuléia teutônica, as &lt;i&gt;contradições internas&lt;/i&gt; dos meus planos, a infelicidade do molequinho que quer desenhar mangá mas é forçado pelo estado a ser &lt;i&gt;go-go boy&lt;/i&gt; ou algo assim, fora os gulags, a polícia secreta, a fome, a má literatura; e com um certo alívio (devo confessar, com um grande alívio) disse para mim mesmo, &lt;i&gt;não, não sou comunista&lt;/i&gt;, fazendo assim aos quinze anos, em cinco minutos de insônia, o que muitas bestas não fizeram em vinte anos. O que muitas bestas não fizeram até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas confesso também: ainda agora quando ouço a palavra &lt;i&gt;comunista&lt;/i&gt;, tenho uma visão de mim mesmo vestindo uma capa de couro preto, como Trótski (mas sem a picareta, que apesar de muito &lt;i&gt;in&lt;/i&gt;, é brega), com uma cocotte linda em cada braço, ao som de &lt;i&gt;Viva Las Vegas&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91818997?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91818997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91818997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#91818997' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91755850</id><published>2003-04-01T01:46:00.000-03:00</published><updated>2003-04-02T00:42:51.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;I'm a Proud Friend of Israel&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Comprei um livrinho de Roger Scruton sobre Espinosa, e logo na segunda página há um trechinho de uma carta de Espinosa para um amigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;No que está em mim, valorizo, acima de todas as coisas fora do meu controle, o amigável aperto de mãos entre homens amantes da verdade. Acredito que (...) nada no mundo traga mais paz do que a possibilidade de um relacionamento afetuoso com tais homens. É impossível que o amor que temos por eles possa ser perturbado... da mesma forma que a verdade, uma vez percebida, possa não ser aceita.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que Espinosa nunca fez parte de uma lista de discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás fico imaginando como seria se Espinosa vivesse na época dos computadores. Abriria um blog chamado &lt;i&gt;Ética&lt;/i&gt;, cuja primeira entrada seria esta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por causa de si entendo aquilo cuja essência envolve a existência; ou por outras palavras, aquilo cuja natureza não pode ser concebida senão como existente.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;posted by Spinoza at 1:00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E imagino os comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Comments: 5&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Cara, e daí? Se liga!!!!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Jakke [Homepage] 01-04-2003 01:16:32&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Visitei o seu site e gostei muito! Também tenho um site que é muito legal. Dá uma olhada: http://luizenrique.com – Acidez Mental e Estomacal! Vamos trocar links?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Luiz Enrique [Homepage] 01-04-2003 01:25:20&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Mais uma vez a Internet brinda-nos com mais um blog de papa-hóstea. Quando é que esse pessoalzinho da direiteca olavo-de-carvalheana vai perceber que a ditadura acabou? Percebam o fascismo do cara, nos forçando a acreditar na existência da essência do escambau. É rir para não chorar...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Edgalsson Filho [Homepage] 01-04-2003 08:52:04&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Edgalsson, o cara é judeu...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Jorilmar [Homepage] 01-04-2003 12:23:40&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Falha minha, bem devia ter notado a bandeirinha “I’m a Proud Friend of Israel” aí à esquerda. Repara, o cara não diz uma palavrinha contra o Sharon. Continuo dizendo: é rir para não chorar...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Edgalsson F. [Homepage] 01-04-2003 14:50:02&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91755850?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91755850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91755850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_04_01_archive.html#91755850' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91686385</id><published>2003-03-31T01:31:00.000-03:00</published><updated>2003-03-31T01:40:22.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Expressões que só aparecem em textos antiguerra:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arrogam (os EUA sempre &lt;i&gt;se arrogam&lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;- Bush Pai (ou Bush o Pai)&lt;br /&gt;- Bush Filho (ou Bush o Filho, ou Bush Júnior)&lt;br /&gt;- Bushinho&lt;br /&gt;- Bushizinho&lt;br /&gt;- Cachorrinho (do Império Ianque: Blair. &lt;i&gt;Ver também: poodle. Schnauzer. Sharpei.&lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;- Caubói (se referindo ao Bush)&lt;br /&gt;- Estado títere (se referindo ao governo do Iraque pós-guerra) manipulado pelas forças unidas do capital sangrento (se referindo ao Burger King. Ah, perdão, esqueci que por algum motivo o Burger King não é ideológico, só o McDonald’s é ideológico. Pizza Hut também não é ideológico.)&lt;br /&gt;- Estadunidenses (frisar bem, para que não se confunda com &lt;i&gt;americanos&lt;/i&gt;, que o autor do texto faz questão de exclamar – está preparado? – que &lt;i&gt;somos todos nós&lt;/i&gt;.)&lt;br /&gt;- Gângster (Bush)&lt;br /&gt;- Ianque&lt;br /&gt;- Império (os EUA são um Império Ianque; ou querem ser um Império Ianque – ainda não foi decidido se já são ou querem ser)&lt;br /&gt;- Imprensa parcial (americana)&lt;br /&gt;- Imprensa imparcial (Al-Jazeera)&lt;br /&gt;- Massacre (em Bagdá. Em Israel, houve vítimas. Entre as tropas da coalizão, deve-se dizer, sorrindo: &lt;i&gt;baixas crescentes&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;- Precipitada (a invasão do Iraque. &lt;i&gt;Ver: mal-planejada por um império arrogante que se arroga&lt;/i&gt; etc )&lt;br /&gt;- Também não sou a favor (do Saddam; dizer em seguida: &lt;i&gt;Mas acho que deviam ter buscado outros meios...&lt;/i&gt; Importante: não explicitar quais outros meios, para não ser alvo de zombarias. Murmurar alguma coisa sobre “as leis internacionais” - mesmo se você não sabe nenhuma delas.)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91686385?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91686385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91686385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91686385' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91633778</id><published>2003-03-30T01:20:00.000-03:00</published><updated>2003-03-30T01:27:35.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;O cheiro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Um homem subia numa escadinha para colocar um livro na estante quando sentiu um cheiro forte de vela. Achou que o cheiro vinha do livro. &lt;I&gt;Que horrível, como é forte esse cheiro, me lembra velório&lt;/i&gt;. Aproximou o livro do nariz; mas não, não vinha dali. O cheiro era realmente de vela. Olhou para trás, embora soubesse que só havia atrás de si uma mesa, uma cadeira, um globo, uma janela. Mas na verdade viu a si mesmo num caixão, coberto de flores, cercado de velas altas. Desorientado, lutou para não cair da escadinha; e lançando um olhar para a estante, viu a tampa de um caixão apoiada contra os livros, e apoiou a mão ali para não cair. Ouvia claramente a sua mulher chorando atrás dele. Sem saber o que fazer, continuou no alto da escadinha, folheando o livro sem ler nada. Não conseguia ler, as letras se embaralhavam na página. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91633778?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91633778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91633778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91633778' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91586488</id><published>2003-03-29T01:44:00.000-03:00</published><updated>2003-03-29T02:06:01.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Antiamericanismo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O antiamericanismo está na moda, como o antisemitismo estava na década de trinta, e pode acabar igualmente mal (é típico da humanidade escolher sempre os povos mais legaizinhos pra implicar). Na tevê todo mundo odeia americanos: a professorinha com lábio leporino, o VJ muderninho, a garota bonitinha, o homem-sanduíche de tenros sentimentos. E chego em casa e vejo uma tia minha, que sempre achei suave, falando dos americanos, com ódio; e quando eu disse que ela estava com ódio, ela disse que não estava com ódio; só não gostava de gente sem-educação, prepotente, arrogante, com o rei na barriga, metida a besta, cruel, assassina, violenta, mentecapta, idiota, desgraçada, imunda. Mas ódio, não. Tentei dizer a ela que, sem os americanos, estaríamos todos lendo histórias edificantes sobre o camponês Ivan e seu magnífico, lustroso trator. O fato em si foi grandiloqüente, então me deixem ser grandiloqüente: os estados unidos salvaram o mundo. Pelo menos duas vezes, &lt;i&gt;last time I checked&lt;/i&gt;. Não só isso como emprestam dinheiro para a minha tia ter estrada para ir à praia, desenvolvem remédio para minha tia controlar a osteoporose, e fizeram filme da Doris Day pra minha tia ver na tevê. Digo isso e a minha tia desvia os olhos, fica olhando pra parede, com ódio. O antiamericanismo está realmente no ar. Quanto a mim, lealdade para sempre ao país que me deu Columbo, Jornada nas Estrelas e Buffy. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91586488?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91586488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91586488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91586488' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91521823</id><published>2003-03-28T00:31:00.000-03:00</published><updated>2003-03-28T00:47:44.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Cansaço de aforismos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Oh, essas frases pretensiosas, que as pessoas escrevem só porque parecem aforismos. O menino que é o intelectual da família, porque leu aforismos, quer fazer aforismos também: tentando todas as combinações das palavras &lt;i&gt;arte, morte, mulher&lt;/i&gt; numa frase que pareça profunda e curta. &lt;i&gt;A morte é a mulher da vida&lt;/i&gt;. Quase parece fazer sentido, não? Que tal isto?: &lt;i&gt;A morte é a mulher infiel da vida; engana-a com o esquecimento&lt;/i&gt;. É mecânico. No futuro teremos computadores aforistas... Computadores profundamente mordazes, que criarão sarcasmos que eles mesmos não entendem. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;O cansaço passou. Tentemos:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O talento devia ter o talento de se esconder um pouco.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Mas será verdade?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Mas me lembro de alguns mestres chineses de kung-fu. Um deles, em especial:  baixo, gordo, barrigudo, careca. Só falava de comida e mulher e cachorros e cinema. Nunca, absolutamente nunca, o ouvi falar de kung-fu.  Parecia realmente fora de forma, parecia um feirante tímido.  Mas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passo que os alunos da academia, especialmente os iniciantes, falavam de kung-fu o tempo todo. Eram atléticos. Eram agressivos. Mas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91521823?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91521823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91521823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91521823' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91459202</id><published>2003-03-27T01:51:00.000-03:00</published><updated>2003-03-27T03:16:07.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Guerra&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Escute, como dizem os membros da persuasão liberacciana - &lt;i&gt;vamos combinar?&lt;/i&gt; Eu não sei o que é a guerra, você não sabe o que é a guerra. Sua opinião de que a guerra é horrível é baseada em filmes e fotos de jornal. Minha opinião de que a guerra é horrível mas também, de alguma forma, gloriosa, é baseada em filmes e livros. Meus filmes são melhores do que os seus. Cubro o seu amargo regresso com o meu gunga din.  E meus livros são melhores do que os seus, porque você nem tem livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia isto. Isto também existe, isto também é a psicologia humana, isto também está dentro de você, em algum lugar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No cerco de Diu, que sustentou o grande capitão António da Silveira, sendo Fernão Penteado ferido gravemente na cabeça, foi ao cirurgião que o curasse; e, achando-o ocupado na cura de outros, enquanto aguardava a sua vez, ouviu estrondo de um rebate que os turcos davam; e, não lhe sofrendo o coração não se achar nele, correu àquela parte onde, envolvida na refrega, ganhou segunda ferida grave na cabeça. Com que apertado, tornou ao cirurgião, a quem achou ainda mais ocupado que antes. E, como neste tempo os turcos apertassem muito com os nossos, ele tornou a acudir com grande alvoroço, onde recebeu terceira cutilada no braço direito; e veio curar-se de todas três. De sorte que assim ia este soldado buscar mais feridas, como se, achando o cirurgião ocioso, quisesse dar-lhe em que se ocupar, e mais falta fazia ao seu natural a briga do que à sua cabeça o sangue, querendo antes ferir-se depressa do que curar-se devagar. A tarântula, ainda depois de esmagada, salta, se lhe tangem; este animoso guerreiro, ainda rota a cabeça, pulava, se ouvia estrondos militares, porque eram música para ele."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(da &lt;i&gt;Nova Floresta&lt;/i&gt;, do Padre Manuel Bernardes)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91459202?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91459202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91459202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91459202' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91390101</id><published>2003-03-26T01:13:00.000-03:00</published><updated>2003-03-26T04:04:33.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;BREVE HISTÓRIA DO CINISMO INGÊNUO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criancinhas olham cinicamente pra você, com cara de Peter Lorre vendendo passaportes em Casablanca,  e dizem &lt;i&gt;as verdadeiras razões da guerra&lt;/i&gt;. O duro é ver cinismo saindo de uma boca manchada de chocolate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais ingênuos, mais cínicos: é uma regra. Isso porque os ingênuos estão acostumados a ser enganados em todos os cantos. Compram remédios pra emagrecer, tomam Confrei, pagam dízimo, pagam prestações sem nunca perceber os juros, são enganados no troco, entram em pirâmides. São roubados de tantos lados ao mesmo tempo, que se enfezam, passam a olhar feio pra todo mundo, e ficam com a certeza que todo mundo está tentando enganá-los. Até as nuvens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você diz que as nuvens são bonitas, e eles olham cinicamente pra você, como se &lt;i&gt;só você&lt;/i&gt; não soubesse que canalhas são as nuvens. Especialmente os cúmulos-nimbos, esses são os piores, os líderes dessa roubalheira toda. Fica esperto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de novo nisso. Se você lê &lt;i&gt;Ana Karenina&lt;/i&gt;, vai reparar que Liêvin está sempre querendo tomar alguma medida a favor dos mujiques que trabalham em suas terras. Lá vai Liêvin tentar explicar as mudanças que quer fazer na propriedade. E ele é sincero: se sente culpado pela renda que tem em relação à renda dos mujiques, e quer honestamente melhorar a condição de vida deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mujiques ouvem de cara desconfiada, vão ficando zangados, xingam. Aqui, ó, que eles são &lt;i&gt;tão ingênuos&lt;/i&gt; que vão acreditar num ato desinteressado. Se o patrão propõe  mudanças, obviamente há algum lucro pra ele em algum lugar. Recusam as mudanças. O próprio Liêvin vai ficando zangado com as objeções. &lt;i&gt;Não é possível,&lt;/i&gt; pensa,&lt;i&gt; que sejam tão estúpidos&lt;/i&gt;. Mas sim, sempre é possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a impressão que quando Jesus ressuscitou Lázaro, Lázaro ficou olhando desconfiado pra ver &lt;i&gt;where was the catch&lt;/i&gt;. A família de Lázaro comentando sobre os motivos pecuniários de Jesus. Olhando cinicamente uns para os outros e murmurando sobre o &lt;i&gt;capital essênio&lt;/i&gt; ou os &lt;i&gt;interesses das grandes casas de carpintaria&lt;/i&gt;. Todos com as caras mais ingenuamente cínicas do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É simples, se você pensar bem. Lázaro morto, a quem beneficia? É só o preço de um caixão. &lt;i&gt;Mas Lázaro vivo&lt;/i&gt;, é cadeiras e mesas pruma vida inteira..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São cínicos, em primeiro lugar, em relação a todas as guerras. O mais bobinho molequinho de colégio olha pra você com profunda piedade nos olhos e fala dos &lt;i&gt;horrores da guerra de verdade, no mundo real, cara&lt;/i&gt;, como se ele fosse um veterano mutilado da guerra dos cem anos, e não um molequinho cheirando a vic-vaporub. Mas o mundo real pra ele, tanto quanto eu possa saber, é o filme &lt;i&gt;Platoon&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um filme como &lt;i&gt;Platoon&lt;/i&gt; tem uma só verdade: que a guerra é feia. Mas Homero sabia duas verdades: que a guerra é feia, e gloriosa, de alguma forma. Mas já não se pode mais dizer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, são cínicos com relação aos motivos desta guerra. Têm todos aquelas caras de bebezinhos profundamente vividos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfio, aliás, de qualquer &lt;i&gt;motivo escuso de guerra&lt;/i&gt; que até molequinhos, mujiques e Sean Penn são capazes de compreender.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91390101?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91390101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91390101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91390101' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91323669</id><published>2003-03-25T01:07:00.000-03:00</published><updated>2003-03-25T21:46:22.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Chega, basta&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus, meu Deus, &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=993"&gt;Augusto de Campos&lt;/a&gt; não consegue parar de falar de Pound um segundo. Se Pound fosse vivo, Augusto ia ficar escondido num arbusto na frente da casa dele, tirando fotos e gritando poemas verbivocovisuais num megafone. E justo Pound. Aquele que, na célebre classificação de poetas que fez, esqueceu de mencionar a sua própria classe. Os poetas chatos. Os poetas que fazem citações em chinês nos seus longos poemas.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;A princesa Paralis&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;“Se eu ouvir mais &lt;i&gt;uma&lt;/i&gt; comparação entre um poeta e um joalheiro, eu grito, eu &lt;i&gt;grito&lt;/i&gt;!”, disse a princesa, fazendo beicinho e atirando o livro na barriga do poeta gordo. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt; &lt;b&gt;Duas levas no Inferno&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Duas coisas estão acontecendo. Um, as pessoas boas estão ficando más. Tias gordinhas com discreto vitiligo nas mãos defendendo a tortura de prisioneiros americanos, essas coisas todas. Dois, as pessoas boas, mesmo continuando boas, estão se &lt;a href="http://www.midiasemmascara.org/materia.asp?cod=523"&gt;aliando &lt;/a&gt; ao mal. Por burrice. E portanto as pessoas boas vão para o inferno, seja porque ficaram más, seja porque continuaram boas. O demônio adorará a variação no &lt;i&gt;menu.&lt;/i&gt; &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Não dá&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Toda vez que leio “Ai!”&lt;br /&gt;Num poema, digo “Ai!”&lt;br /&gt;Em voz alta - e fecho o livro.&lt;br /&gt;Esse é um hábito antigo.&lt;br /&gt;Tenho nojo, não consigo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91323669?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91323669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91323669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91323669' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91262580</id><published>2003-03-24T02:32:00.000-03:00</published><updated>2003-03-24T16:56:44.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;HISTÓRIA DA MALDADE E DA PIEDADE BURRA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Os personagens:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.heraldsun.news.com.au/common/story_page/0,5478,6123997%5e401,00.html"&gt;A&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.frontpagemag.com/Articles/Printable.asp?ID=5773"&gt;Maldade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.estadao.com.br/ext/especiais/forum/iraque/index.htm"&gt;A&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/chronicle/archive/2003/03/18/MN183497.DTL"&gt;Piedade&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2303200309.htm"&gt;Burra&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Maldade e a Piedade Burra morreram no mesmo dia. Andaram durante um tempo na estrada dos mortos, lado a lado, caladas; mas quando chegaram na bifurcação, a Piedade Burra disse com nojinho: &lt;i&gt;Aqui nos separamos&lt;/i&gt;. Deram-se as mãos, e a Piedade Burra foi indo na direção dos anjos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um demônio agarrou a saia da Piedade Burra e indicou que ela devia ter tomado o mesmo caminho da Maldade. &lt;i&gt;Não, mas...&lt;/i&gt; - disse a Piedade Burra; mas foi logo arrastada para o outro caminho, onde a Maldade a esperava, observando tudo com um sorrisinho discreto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco adiante foram recebidas, cada uma, por suas vítimas: milhões de furiosas pessoas estropiadas, com espadas amarradas nos cotos. Dizem que a Maldade sofreu seu castigo achando graça da expressão no rosto de sua querida, chocada amiga.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91262580?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91262580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91262580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91262580' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91208489</id><published>2003-03-23T00:55:00.000-03:00</published><updated>2003-03-23T02:33:24.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;VÁ VOCÊ AO TEATRO&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Atores&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, quando eu era um molequinho, lendo Shakespeare, tive uma revelação sobre a natureza do teatro, dessas que me vêm como ataques epilépticos e me fazem rolar pelo chão e sangrar pelo nariz: &lt;i&gt;Teatro&lt;/i&gt;, pensei eu, &lt;i&gt;é como se eu parasse de ler isto e desse o texto para as meninas mais burrinhas da minha classe, para que elas leiam em voz alta pra mim.&lt;/i&gt; Não são as atrizes as meninas mais burrinhas de suas classes? Não são as mais famosas Ofélias e Gonerils meninas que, um mês antes, pegaram o texto da peça, viram o nome na capa, e disseram com lindo nojinho,  &lt;I&gt;“Ai, Shakespeare?”&lt;/I&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;b&gt;Público&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Os maiores perigos que já passei foram em peças de teatro. É só sentar que já sei que um ator de modos acanalhados vai tentar me embaraçar de alguma maneira. Do palco já me jogaram bombons, farinha, cuspe, carne crua. Outro dia desses Medéia chorava silenciosamente, nobremente, segurando rosas a dois passos de mim, e eu não parava de piscar porque tinha a certeza que ela ia enfiar as rosas nos meus olhos. Olha, o público pagou, não tem que trabalhar, trabalha você.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Diretores&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Diretores de teatro são tão burros, todos eles, que acham sempre uma boa idéia vestir os guardas de qualquer rei, de qualquer época, de casaco de couro preto e capacete de nazista. Queria ver uma encenação de Shakespeare sem nazistas e sem Beatles. Só uma? Pode ser? Humm? &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;O que Shakespeare diria a Zé Celso&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Idol of idiot-worshippers! &lt;i&gt; (Troilus and Cressida, 5.1.) &lt;/i&gt; No man’s pie is freed from your ambitious finger. &lt;i&gt; (Henry VIII, 1.1.) &lt;/i&gt; Be better employed, and be naught awhile. &lt;i&gt; (As You lLike it, 1.1.) &lt;/i&gt; Methink’st thou art a general offense and everyman should beat thee. &lt;i&gt; (All’s Well That Ends Well, 2.3.) &lt;/i&gt; Take a good heart, and counterfeit to be a man. &lt;i&gt; (As You Like it, 4.3) &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91208489?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91208489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91208489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91208489' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91165710</id><published>2003-03-22T02:22:00.000-03:00</published><updated>2003-03-22T02:22:50.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;DE TOMÁS MORO, CANCELÁRIO DA INGLATERRA&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recluso em duras prisões se achava este varão ínclito, reputando-as por tão gloriosas quanto o era a causa da religião católica que propugnava contra os furores da seita anglicana. E sua mulher Aloísia, impiamente compassiva, entrou no cárcere a persuadir-lhe não quisesse romper intempestivamente o fio de seus anos. &lt;i&gt;Quantos&lt;/i&gt; (lhe disse ele) &lt;i&gt;vos parece que poderei ainda lograr de vida?&lt;/i&gt; Vinte largamente (respondeu ela). Tornou o preso, mostrando-lhe severo semblante: &lt;i&gt;Pois por vinte quereis que venda uma eternidade? Muito ruim mercadora sois; se disséreis muitos milhares, ainda dizíeis nada.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(da &lt;i&gt;Nova Floresta&lt;/i&gt;, do Padre Manuel Bernardes) &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91165710?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91165710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91165710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91165710' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91106110</id><published>2003-03-21T02:16:00.000-03:00</published><updated>2003-03-21T02:16:51.843-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Chinoiserie&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Num pavilhão que há no céu quinze mandarins esperam deitados. Uns dormem, uns lêem, uns fumam. Os que fumam conversam indolentemente, contam histórias, ou olham para as vigas do teto. De vez em quando um criado se aproxima, e um dos mandarins lhe pergunta, com os olhos, se &lt;i&gt;já aconteceu&lt;/i&gt;. Mas não, ainda não aconteceu. Os mandarins voltam aos seus livros, revistas, conversas, cochilos. Sabem que o Reino do Meio é eterno; se no mundo ele foi interrompido, aqui no pavilhão ele é continuado.  Quinze mandarins acompanham as sombras das mariposas, e as décadas passam devagar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91106110?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91106110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91106110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91106110' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-91036350</id><published>2003-03-20T01:11:00.000-03:00</published><updated>2003-03-20T18:21:12.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;i&gt;para o &lt;a href="http://milmaisuma.blogspot.com/"&gt;Luis&lt;/a&gt;:&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Juntos no inferno&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Nunca teve a menor ilusão sobre a mulher, sabia bem para onde ela devia ter ido depois da morte, e no dia do enterro tomou a decisão de que iria para lá também. Não foi fácil, porque era um homem bom, realmente bom; mas durante cinco anos se obrigou a cometer todo tipo de vilezas, que disciplinadamente marcava num caderninho. Acabou de cometer a maior de todas... Numa cadeira de vime dando para o jardim, com a camisa azul suja de sangue,  ele olha para a grama; mas não vê nada, porque já se vê no inferno. Sem ela o céu seria o inferno. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;This guy is pretty marvelous&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Começou a guerra, mas vocês têm que ouvir &lt;a href="http://komo1000news.com/audio/kvi_aircheck_031003.mp3"&gt;isto&lt;/a&gt;. Um imigrante iraquiano humilhando uma pacifista monguinha. Passei o dia inteiro praticando imitações desse cara, meu herói. &lt;i&gt;Little girl.&lt;/i&gt;  &lt;i&gt;You are a joke. You are a joke, little girl.&lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Alex Cabedo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Morreu o &lt;a href="http://karpreto.blogspot.com/"&gt;Alex Cabedo&lt;/a&gt;, dormindo na cama, neste domingo. Foi divertido xingar evangélicas com você, Alex. Xingar evangélicas é o Nobre Esporte Ibérico e espero que você continue a praticá-lo aí no Paraíso. Imagine o impacto do cuspe, se cuspido daí de cima, quando atingir a cabeça dessas patetas que costumávamos atormentar. Alex, Alex, foi uma honra.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-91036350?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91036350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/91036350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#91036350' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90967762</id><published>2003-03-19T00:48:00.000-03:00</published><updated>2003-03-20T18:50:12.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;HISTÓRIA DA MULHER MAIS LINDA QUE JÁ HOUVE&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Uma mulher feia pediu a Vênus que a fizesse bonita. &lt;i&gt;Que seja&lt;/i&gt;, Vênus respondeu. &lt;i&gt;Seja cruel com os homens, e será bonita; e quanto mais cruel for, mais bonita. Mas se amar uma vez só que seja, ficará feia para sempre&lt;/i&gt;. Desse dia em diante a mulher começou a ser cruel com todos os homens que se interessaram por ela; e quanto mais cruel era, mais bonita ficava; e quanto mais bonita ficava, mais homens se apaixonavam por ela, e mais ela tinha ocasião de ser cruel. Seu sorriso de desprezo era famoso, e muitos se mataram por ela em Roma. &lt;i&gt;A mais linda mulher que já houve&lt;/i&gt;, chamou-a Ovídio. (...) Matou-a enfim um dos soldados de Públio Petrônio." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;(das &lt;/i&gt;Memórias&lt;i&gt; de Tibério Júlio Alexandre)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90967762?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90967762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90967762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90967762' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90902036</id><published>2003-03-18T01:33:00.000-03:00</published><updated>2003-03-18T01:33:56.293-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Aquela palavra de novo: tapem os ouvidos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É engraçado, mas as pessoas moderninhas têm chiliques à menção da palavra honra. Chiliques mesmo. O que acho engraçado é que essas mesmas pessoas teriam vergonha de sair para a rua com o carro sujo, ou com a calça suja; mas a honra sai suja para a rua e eles riem disso. Desconfio que não é tanto porque não liguem para a sujeira, mas porque acham que não havia nada ali para ser sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A honra está ligada ao conceito de família. Achar a própria honra importante significa apenas querer que a memória dos próprios ancestrais seja respeitada. Não querer que o retrato do seu bisavô bigodudo seja cuspido pelo primeiro molequinho que passar. Não é nada mais complicado que isso; mas pode ser muito intenso. Agora: pessoas que, elas mesmas, querem cuspir nos retratos dos próprios bisavôs bigodudos, e no das mães e tias e avós e irmãos ainda por cima, não podem entender &lt;i&gt;what the fuss is all about&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90902036?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90902036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90902036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90902036' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90838666</id><published>2003-03-17T02:21:00.000-03:00</published><updated>2003-03-17T02:52:26.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Alguns intelectuais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que são inteligentes porque são infelizes. A inteligência para eles é uma máquina de rejeitar coisas: rejeitar o que é óbvio, o que é repetitivo, o que é obscuro, o que é duvidoso, o que é vulgar. Leio essas pessoas e sinto um pouco de vergonha da minha felicidade um tanto cretina, que não rejeita de todo a obviedade, a repetitividade, a superficialidade - porque essas coisas são às vezes divertidas. Esses infelizes buscam um ideal: a pureza intelectual, a Verdade; mas não dão sinal de que algum dia venham a achar a Verdade muito divertida. Nunca fazem com que seus intelectos se movam por &lt;i&gt;diversão&lt;/i&gt; (isto está abaixo deles); fazem com que seus intelectos se mexam por &lt;i&gt;mania de limpeza.&lt;/i&gt; E isso é tudo que se pode dizer deles: são muito limpinhos. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Você não&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Um post como esse acima se presta a que todo mundo leia e fique pensando: &lt;i&gt;ele está falando de mim, ele está falando de mim...&lt;/i&gt; Não, não, você não. Que é isso. Por favor. Quer dizer, a menos que você seja &lt;a href="http://www.newcriterion.com/archive/21/mar03/valery2.htm"&gt;Paul Valéry&lt;/a&gt;; nesse caso sim, é sobre você. Ah, esse seu intelecto alienígena, frio e seco.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Disse a carpa:&lt;/b&gt;&lt;br&gt; &lt;a href="http://www.livejournal.com/talkread.bml?journal=stonemirror&amp;itemid=185583"&gt;Tzaruch shemirah.&lt;/a&gt;  &lt;a href="http://www.livejournal.com/talkread.bml?journal=stonemirror&amp;itemid=185583"&gt;Hasof bah.&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90838666?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90838666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90838666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90838666' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90788179</id><published>2003-03-16T00:41:00.000-03:00</published><updated>2003-03-16T01:13:11.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;i&gt;(contos de fada para crianças com nervos de aço)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;CONVITE À FILOSOFIA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma filósofa passeava no bosque que cerca uma universidade (não pra pensar – ficaria horrorizada ante a sugestão de &lt;i&gt;pensar&lt;/i&gt; nas suas horas de folga. Era pra fumar, mesmo.) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nisso aparece na frente dela a Filosofia: uma mulher de três metros e olhar pensativo. A filósofa levou um susto, deixou o cigarro cair na própria roupa e teve que se dar safanões pra não ser queimada e se livrar das cinzas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vim lhe propor uma experiência – disse a Filosofia. – Sente nesta pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filósofa hesitou, olhando para uma pedra na beira de um laguinho. Mas acabou sentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto sentava, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você é a Filosofia, não é? Queria saber se estou certa no meu palpite sobre a visão de Derrida sobre a visão de Nietzsche sobre a visão de Empédocles sobre o tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Filosofia disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Outra hora. Quero muito que você faça esta experiência: &lt;i&gt;pense em algo&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;No tempo&lt;/i&gt;, digamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Na visão de Derrida sobre a visão de Nietzsche sobre a visão de Empédocles sobre o tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia algo triste no olhar da Filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não – ela disse – Esqueça Derrida, Nietzsche e Empédocles. &lt;i&gt;Pense sobre o tempo&lt;/i&gt;. Você mesma. Sem pensar no que outros pensaram sobre o tempo. - Ela viu a aparência nervosa da filósofa, sorriu de leve e disse: - Por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filósofa pensou: “É inusitado. Está bem, vou tentar. O tempo...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E subitamente gritou porque sua cabeça estava pegando fogo. Fez dois círculos correndo na clareira, enquanto suas bochechas se esturricavam e seus cabelos voavam na brisa, alcançando a copa das árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calmamente a Filosofia a agarrou pelo pescoço e mergulhou a cabeça da filósofa no laguinho, virando um pouco o próprio rosto para não respirar a fumaça que saía do contanto da água com a carne queimada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pronto, pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o que lhe restava do rosto, a filósofa (que era atéia) chorou e gritou “Meu Deus, meu Deus”. A Filosofia disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sei como resolver esse problema. Confia em mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim – disse a filósofa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então sente mais uma vez nesta pedra e &lt;i&gt;pense no espaço&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo que a filósofa hesitava, olhando pra ela com o único olho que sobrara (o outro estava sendo comido pelas carpas do lago naquele instante), a Filosofia disse, na sua voz mais calma, mais sedutora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Confie em mim. Sente naquela pedra e pense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filósofa teve que ser guiada até a pedra. Pensou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O espaço...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E gritou mais uma vez, porque o fogo voltou a explodir no que restava da sua cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu correndo e gritando. Bateu numa árvore, se levantou de novo, e acabou tentando se atirar no lago; mas tropeçou numa raiz e bateu a cabeça na pedra. Ficou lá, com a cabeça esturricada enfiada pela metade na água, e chiando. Os peixes saíram daquela parte do laguinho, que borbulhava  discretamente como um refrigerante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Filosofia olhou para a cena durante algum tempo, pensativa; mas como o cheiro ali estivesse muito forte, sorriu filosoficamente e foi embora dali. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bosque que circunda a universidade é um bosque sinistro, onde os filósofos têm medo de ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90788179?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90788179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90788179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90788179' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90772089</id><published>2003-03-15T16:17:00.000-03:00</published><updated>2003-03-15T16:27:49.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Lirismo comedido&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Tenho que confessar, não estou farto do lirismo comedido. O tal, que pára e vai averigüar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. E gosto muito do lirismo namorador. Aquele mesmo, o sifilítico. E - sim, sim - odeio o lirismo dos loucos. Abomino o lirismo dos bêbados, o lirismo difícil e pungente dos bêbados. Coisa de gentinha malnascida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faz falta o lirismo comedido, o lirismo bem-comportado, que pára e vai etc! A poesia brasileira acabou quando as pessoas se fartaram do lirismo comedido; volte, lirismo comedido; volte...&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Por exemplo&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Escuta, este é o final de um poema de Ribeiro Couto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Os que amei e perdi dormem dentro de mim;&lt;br /&gt;A culpa é minha, sou eu mesmo que os desperto,&lt;br /&gt;Logo que a noite envolve em sombras o jardim.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lindo, não? O resto desse poema &lt;i&gt;stinks&lt;/i&gt;. Tresanda. Mas esses três versos são suficientes para dar uma pequena e gentil imortalidade a alguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90772089?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90772089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90772089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90772089' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90696345</id><published>2003-03-14T04:09:00.000-03:00</published><updated>2003-03-14T05:16:37.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Fotos de guerra&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Fotografa-se o que acontece, mas não o que não acontece. Óbvio, dirá você. Mas pense nas conseqüências disso. Uma pessoa vê a foto de um mutilado de guerra (que está no meio de destroços, olhando tristemente para a câmera enquanto fuma um cachimbo) e imediatamente passa a ser contra a guerra que mutilou o mutilado. Se fosse possível, no entanto, fotografar o que deixou de acontecer por causa da guerra, a mesma emocional pessoa passaria a ser a favor da guerra. Algumas guerras fazem isso: criam um mutilado para evitar dois mutilados. E portanto se a razão mandar, em algumas guerras é preciso fazer isto: ao ver a foto do mutilado que houve, imaginar a foto dos dois mutilados que não houve. Pacifistas são pessoas sensíveis às fotos sangrentas que vêem e completamente frias em relação às fotos sangrentas que nunca verão, mas deveriam ter sido capazes de imaginar.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Andrew Sullivan&lt;/b&gt;&lt;br&gt;O texto que finalmente me decidiu a ser a favor desta guerra é &lt;a href="http://www.andrewsullivan.com/index.php?dish_inc=archives/2003_03_09_dish_archive.html#90560203"&gt;este&lt;/a&gt;.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Sartre sobre mulheres pacifistas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;“As mulheres estão sempre erradas; em 1914 elas empurraram seus homens para o front, quando na verdade deveriam ter deitado nos trilhos para impedir os trens de partir - e agora que talvez faça sentido lutar, vocês ficam fundando ligas de paz e fazendo tudo que é possível para acabar com o ânimo dos homens.” &lt;br /&gt;&lt;i&gt;(o personagem Brunet em “Le Sursis”)&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90696345?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90696345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90696345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90696345' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90632538</id><published>2003-03-13T02:13:00.000-03:00</published><updated>2003-03-13T03:33:54.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Os crescidinhos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Crescemos com o medo natural de sermos enganados. Na escola, na loja, na rua: &lt;i&gt;queremos ser espertos, e que ninguém nos engane&lt;/i&gt;. É por isso que vivo encontrando adultos que fazem sons de descrédito e zombaria quando vêem, no cinema, monstros, ou anjos, ou alienígenas. Que se voltam sorrindo para você e dizendo &lt;i&gt;pois sim&lt;/i&gt; no momento em que o herói agarra uma bala de revólver nos dentes. &lt;i&gt;Eles são espertos, e ninguém os engana&lt;/i&gt;.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;A lição de Dumas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Dumas tem uma lição para dar a um escritor, uma única lição: seu entusiasmo. Ele se atira ao seu senso de aventura com o maior gosto e sem o menor medo do ridículo, como d’Artagnan se atirando sozinho numa luta contra quatro agentes do cardeal. Não tem muito talento, escreve pessimamente – mas quem mais tem essa coragem de ser perfeitamente, gloriosamente juvenil? Todos os outros escritores avançam com timidez, com medo, talvez nojo, de ceder à própria fantasia romanesca. Têm mais talento, menos coragem. E fico me perguntando quantas histórias tão romanescas quanto a de d’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis não são abortadas por escritores que querem ser muito adultos e muito sérios. Todo escritor tem que se ver sozinho contra quatro agentes do cardeal; e geralmente o cardeal vence.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Convicção du jour&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não há, nunca houve, mulher mais linda do que &lt;a href="http://www.indelibleinc.com/kubrick/films/blyndon/presstexts/Marisa_Berenson_Interview.html"&gt;Marisa Berenson&lt;/a&gt; como &lt;a href="http://www.indelibleinc.com/kubrick/films/blyndon/images/lyndon3.jpg"&gt;Lady Lyndon&lt;/a&gt; em &lt;i&gt;Barry Lyndon&lt;/i&gt;.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Uma frase de Rossini&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Li isto na &lt;a href="http://www.arts.telegraph.co.uk/arts/main.jhtml?xml=/arts/2003/03/02/boser02.xml&amp;sSheet=/arts/2003/03/02/bomain.html"&gt;resenha&lt;/a&gt; de uma biografia de Rossini: &lt;i&gt;Quando o sobrinho de Meyerbeer escreveu uma marcha solene para o funeral de seu tio, Rossini olhou a partitura e disse:&lt;/i&gt; “Excelente, mas não teria sido melhor se o seu tio tivesse escrito a marcha e você tivesse morrido?”&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90632538?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90632538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90632538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90632538' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90568275</id><published>2003-03-12T01:59:00.000-03:00</published><updated>2003-03-12T04:50:04.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;A CHAVE DA PORTA DOS SONHOS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando criança, numa livraria em Lisboa, abri um livro ao acaso e li isto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por três vezes Randolph Carter sonhou com a maravilhosa Kadath e por três vezes o afastaram dela quando a contemplava do alto do terraço que a domina. Com todas as suas muralhas, templos, colunatas, as suas pontes de mármore, com todas as suas fontes e jardins perfumados, com as suas avenidas bordejadas de aprazíveis árvores, de urnas cheias de flores e de filas brilhantes de estátuas de marfim, a cidade luzia, fascinante e dourada ao sol poente...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o início de “Em Sonhos, À Procura da Desconhecida Kadath”, de H.P. Lovecraft, na tradução de Jorge Silva Melo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lovecraft tem muitos defeitos, é freqüentemente ridículo, mas ninguém faz o que ele consegue fazer. Para mim esse parágrafo tinha o efeito de música, &lt;i&gt;when soft voices die&lt;/i&gt;. Lia e relia e rerelia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais: fazia um ritual em que me deitava na cama, relaxava, e procurava viver imaginariamente em outros mundos. E de fato vivi em outros mundos. Viajei, lutei, ganhei cicatrizes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivi mais em outros mundos do que neste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O truque é ser capaz de imaginar tudo com violenta nitidez. Ver reflexos de poças d'água tremendo em tetos. Ver a luz do dia  atravessando uma lona branca. Sentir calor e cansaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há exercícios que você pode fazer, agora, para aumentar a sua capacidade de visualização. O clássico é este: pegue uma bola de tênis. Olhe bem para ela. Feche os olhos e tente visualizá-la. Abra os olhos de novo, olhe bem para a bola, e depois feche os olhos e tente visualizá-la. Repita muitas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechar os olhos e imaginar as coisas com muita intensidade, durante muito tempo seguido, me cansava. Depois aprendi métodos que funcionavam melhor comigo. O melhor, descobri faz pouco, é este: visitas rápidas ao mundo dos sonhos, não mais do que dois ou três minutos, de olhos abertos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo faz isso, mas os sonhos dos outros são exclusivamente sexuais. &lt;i&gt;How very unimaginative of you, old boy.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Aos trinta anos, Randolph Carter perdeu a chave da porta dos sonhos. Excursões nocturnas através do espaço por estranhas cidades antigas e inesquecíveis jardins com tufos de verdura encantadores, estendendo-se por sobre mares etéreos, tinham-no desenfadado, até esse ano, das mediocridades da vida. Ao atingir a meia idade, sentiu que, progressivamente, os seus privilégios lhe escapavam e acabavam por desaparecer completamente. A partir de então, as suas galeras, depois de terem passado as flechas de ouro de Thran, nunca mais poderiam navegar à vela sobre o rio Ukranos, nem as suas caravanas de elefantes poderiam caminhar no Kled através de selvas perfumadas onde, sobre as suas colunas de mármore, dormem, intactos e fascinantes ao luar, os palácios esquecidos... &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90568275?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90568275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90568275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90568275' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90500803</id><published>2003-03-11T01:19:00.000-03:00</published><updated>2003-03-11T02:25:29.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Anticristo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Quando o anticristo vier, se vier, há de ser &lt;i&gt;très PC&lt;/i&gt;. Aposto que vai ser negro, viado, e judeu e palestino ao mesmo tempo. Ainda por cima aleijado e analfabeto e inzoneiro (seja lá o que for inzoneiro). E com um corte de cabelo ridículo, e um desses nomes mudados pela numerologia: &lt;i&gt;antticristtho&lt;/i&gt; ou algo assim. Ninguém vai poder falar mal dele, ou vai ouvir a acusação de &lt;i&gt;estar só querendo aparecer&lt;/i&gt;. Garotinhas darão chiliques em blogs: &lt;i&gt;ai, falaram mal do antticristtho! Geeeente, fiquei passada!&lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;A Marca do Anticristo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;E por este signo o reconhecereis: escrever &lt;i&gt;naum&lt;/i&gt; no lugar de &lt;i&gt;não&lt;/i&gt;. E a besta trará nos bolsos fotos de gatinhos. E de sua boca não sairá nem &lt;i&gt;sim&lt;/i&gt; nem &lt;i&gt;não&lt;/i&gt;, mas apenas &lt;i&gt;ai, pára kom isso, tô fora!!!!&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90500803?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90500803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90500803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90500803' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90436276</id><published>2003-03-10T01:18:00.000-03:00</published><updated>2003-03-10T02:25:47.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Conselho paterno&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Estou lendo “Os Três Mosqueteiros”, cuja história começa em 1625. Logo no início, o pai de d’Artagnan, um nobre gascão empobrecido, se despede para sempre do filho, que vai para a capital, com este conselho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Bate-te a propósito de tudo; bate-te principalmente porque os duelos são proibidos, e que, por conseqüência, o bater-se exige dupla coragem.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses são considerados sábios conselhos, mesmo se um pouco excêntricos; e o pai é considerado um bom pai, mesmo se orgulhoso. Imagine um pai dando o mesmo conselho nos dias de hoje! Psicólogas dariam chiliques intelectuais na Veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D’Artagnan parte; e Dumas o compara com D. Quixote neste sentido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Dom Quixote tomava os moinhos de vento por gigantes e os carneiros por exércitos; d‘Artagnan considerava cada sorriso um insulto e cada olhar uma provocação. Daí que conservasse o punho sempre fechado de Tarbes a Meung e que, dez vezes por dia, levasse a mão à guarda da espada.&lt;/i&gt; (Trad. Octávio Mendes Cajado) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando um jovem hoje sai pra rua com essa mesmíssima vontade de brigar, não é herói, nem é simpático – é um caso patológico. Mesmo considerando-se que já não se trata de matar ninguém com uma espada, mas simplesmente de dar uns tabefes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenas de jovens brigando em calçadas passam na tevê ao som de músicas dramáticas, sinistras. Um estudante com o rosto um pouquinho inchado depois de uma briga é mostrado como uma vítima trágica. O moleque que teve o gesto saudável e brincalhão de arrancar a orelha de um outro numa briga de boate &lt;i&gt;(all in good fun! c'mon!)&lt;/i&gt; é tratado como um monstro. Vivemos numa época profunda e violentamente abichalhada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90436276?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90436276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90436276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90436276' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90429227</id><published>2003-03-09T23:02:00.000-03:00</published><updated>2003-03-09T23:22:17.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;i&gt;sometimes sentimentality&lt;br /&gt;makes a grab at you&lt;br /&gt;and waits for no formality&lt;br /&gt;to kill and plunder you&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;it jumps out from the closets &lt;br /&gt;and from old long-play covers&lt;br /&gt;it aims at mortal targets&lt;br /&gt;wearing masks of former lovers&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90429227?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90429227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90429227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90429227' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90280735</id><published>2003-03-07T01:04:00.000-03:00</published><updated>2003-03-07T03:01:26.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Políticas de incentivo my ass&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Encontro com o escritor.&lt;/i&gt; Lá vem um coitado de um escritor, depois de semanas de ansiedade, perder uma tarde de trabalho pra falar em público. Olhe o esforço que ele faz pra parecer normal, apesar dos dedos tremendo quando seguram o livro, os tiques nervosos, e a risada sem conexão alguma com o que está dizendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de coisa só acontece porque os leitores querem se vingar do autor. Se ele fosse bom pra falar em público, não teria justamente escolhido a escrita. Os leitores sabem disso, e malevolamente querem que ele fale. Se perguntados, dizem: “Acho importante esses encontros, né, pra gente se sentir estimulado a ler”. O escritor, hipocritamente: “Sim, sim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou essas discussões na tevê, sempre à tarde - &lt;i&gt;como estimular o gosto pela leitura nas crianças&lt;/i&gt;. Bestalhões (que se lhes vê nas caras) que nunca leram coisa alguma que preste discutindo “políticas governamentais de estímulo à leitura”. Quer uma boa política de estímulo à leitura? Vai você pra casa ler um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sempre falam as mesmas coisas: a aparência do livro tem que ser melhor (mais parecida com uma bruschetta? Como assim, "a aparência do livro tem que ser melhor"?), o livro é muito caro (mesma coisa que um CD, os adolescentes se entopem de CDs), doações a bibliotecas (certo, as que eu conheço só têm milhares, desincentiva muito os molequinhos que queriam milhões de livros), “encontros do escritor com o leitor” (mas não há ONG de proteção a autores, meu Deus?), e –e – e (nessa altura tem sempre alguém que gagueja) “ah, sei lá, uma série de medidas a serem elencadas pelos profissionais do livro”. Juro que vejo essas coisas e sinto vontade de sair dando bengaladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas qual a sua solução, Alexandre?” – perguntará você. (Vamos, pergunte, ou não posso continuar.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas qual a sua solução, Alexandre?&lt;br /&gt;-Simples. Lê quem quer. Agora vai todo mundo pra casa ler um pouco. Recomendo Jane Austen: &lt;i&gt;J - A - N - E - A - U - S - T - E - N ...&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90280735?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90280735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90280735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90280735' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90216836</id><published>2003-03-06T00:58:00.000-03:00</published><updated>2003-03-06T01:13:26.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Galanterias&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;“Depois de algum tempo uma disputa sobre parte da sua herança obrigou o Conde de Roscommon a ir à Irlanda, onde foi feito capitão da guarda pelo Duque de Ormond, e teve uma aventura assim contada por Fenton:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estava em Dublin, como sempre afligido com sua eterna paixão pelo jogo, que o envolveu numa aventura que merece ser contada. Quando voltava para casa depois de uma noite de jogo, foi atacado no escuro por três bandidos, que tinham sido contratados para matá-lo. O Conde se defendeu com tanta resolução que pôs desacordado a um dos agressores; e nisso um cavalheiro, que acidentalmente passava por ali, entrou na briga e desarmou outro dos agressores; e o terceiro fugiu. Esse generoso assistente era um militar desempregado, de boa família e boa reputação, que, pelo que chamamos de &lt;i&gt;a parcialidade da sorte&lt;/i&gt;,  para evitar a censura à iniquidade da época, não tinha sequer roupas boas para fazer uma visita decente ao castelo. Mas o Conde nessa ocasião o apresentou ao Duque de Ormond, e com grande insistência insistiu com o Duque para que o tirasse do posto  de capitão da guarda, e desse o posto ao seu novo amigo. Durante três anos esse cavalheiro teve os benefícios do cargo; e, quando morreu, o Duque devolveu a comissão ao generoso benfeitor.”&lt;br /&gt;Samuel Johnson, &lt;i&gt;Life of the Earl of Roscommon&lt;/i&gt; (1634?-1684), em &lt;i&gt;Lives of the English Poets&lt;/i&gt; (1779) &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Século Dezoito&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Paulo Rónai, numa nota sobre o Marquês de Sade em "Mar de Histórias", Vol.2&lt;/i&gt;: "tinha (...) até talento &lt;i&gt;(mas quem não sabia escrever no século XVIII?)"&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90216836?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90216836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90216836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90216836' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90161134</id><published>2003-03-05T03:12:00.000-03:00</published><updated>2003-03-05T04:37:40.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Inteligência e gosto&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Às vezes acho que há excesso de inteligência tanto em críticos quanto em escritores. Não digo que seja preciso ser burro; digo que a inteligência tem que ser discreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos críticos mordendo os lábios enquanto lêem uma frase escrita em dez segundos por Dickens, digamos. Sublinhando coisas. Fazendo análises sintáticas. Fazer análise sintática é pecado. E as coisas que eles vêem ali: o sistema jurídico na Inglaterra vitoriana; a condição dos órfãos na Inglaterra vitoriana; patati, patatá. Se querem estudar alguma coisa, por que não vão estudar uma rocha, um xaxim, um sapo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está certo que algumas obras exigem estudo, inteligência, e até mesmo teoria. A &lt;i&gt;Divina Comédia&lt;/i&gt;, por exemplo. Mas não são muitas. Para ler &lt;i&gt;Madame Bovary&lt;/i&gt;, tudo que você precisa é atenção. Esqueça &lt;i&gt;o retrato da burguesia francesa provinciana no final do século XIX&lt;/i&gt; e toda essa papagaiada asquerosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip Larkin falando sobre certos tipos de poemas: dizendo que odeia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;the boring too-clever stuff. Poetry that can’t be understood without footnotes: “See the picture ‘A dog buried in the sand’ among the Black Paintings of Goya in the Prado.” Why the fucking hell should I?’* &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Nabokov, sobre romances:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;It seems to me that a good formula to test the quality of a novel is, in the long run, a merging of the precision of poetry and the intuition of science. In order to bask in that magic a wise reader reads the book of genius not with his heart, not so much with his brain, but with his spine. It is there that occurs the telltale tingle even though we must keep a little aloof, a little detached when reading. Then with a pleasure which is both sensual and intellectual we shall watch the artist build his castle of cards and watch the castle of cards become a castle of beautiful steel and glass.** &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que acrescento duas testemunhas. Stravinsky, que disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Diaghilev não era um intelectual. Era muito inteligente pra isso. E depois, intelectuais não têm gosto. Nunca houve um homem de mais bom-gosto que Diaghilev.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É exatamente esse o problema - &lt;i&gt;intelectuais não têm gosto&lt;/i&gt;. Você lê esses livros de crítica poética com diagramas e análises sintáticas, ou essas histórias da literatura sob a ótica feminista, e &lt;i&gt;sabe&lt;/i&gt; que esses filisteus jamais gostaram de um verso só por gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda testemunha sou eu mesmo, que escrevi este poeminha em inglês, me referindo à obra crítica do überfilisteu Sartre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;I know a critic whose whole work is waste.&lt;br /&gt;Too much intelligence. Too little taste.&lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Humm, fico envergonhado de terminar assim, com o meu poeminha. Mas não tenho mais nada pra falar. Tchau, tchau! Vão pela sombra, essas coisas todas.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;* (“... as que são chatas e excessivamente inteligentes. Poesia que não dá pra entender sem nota de rodapé: “Ver o quadro ‘Cão enterrado na areia’ entre os Quadros Negros de Goya no Prado.” Por que diabos eu faria isso?”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** (“Me parece que uma boa fórmula para testar a qualidade de um romance é, em longo prazo, uma fusão entre a precisão da poesia e a intuição da ciência. Para apreciar essa magia o leitor sábio lê o livro de gênio não com o coração, e nem tanto com o cérebro, mas com sua coluna. É lá que acontece o revelador arrepio, embora precisemos nos manter um tanto distantes, um tanto frios enquanto lemos. Então, com um prazer que é ao mesmo tempo sensual e intelectual, veremos o artista construir seu castelo de cartas, e veremos o castelo de cartas se tornar um castelo de lindos aço e vidro.”)&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Ah sim&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Para quem perdeu ontem, me deixem resumir minha engenhosa argumentação em defesa da França. Era &lt;a href="http://membres.lycos.fr/fabinoche/bleuruebinoche.jpeg"&gt;isto&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90161134?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90161134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90161134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90161134' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90095963</id><published>2003-03-04T02:41:00.000-03:00</published><updated>2003-03-04T03:51:27.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Saudades de Marianne&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Às vezes parece que só besteira vem da França nas últimas décadas. Um intelectual francês abre a boca e você sente toda a dor da &lt;i&gt;bêtise humaine&lt;/i&gt; atacando o seu esfíncter. Mas ainda é possível amar a França. &lt;i&gt;O loved so much so long&lt;/i&gt;, disse Swinburne. &lt;i&gt;O deathless, O my France...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A França não é semiótica. Paris não foi desconstruída: é a cidade mais linda de todas. É possível ir a Paris sem ser estuprado pelo fantasma priápico de Jean Paul Sartre. Paris sobreviveu aos nazistas e há de sobreviver a Félix Guattari. As berebas que cresceram no rosto de Marianne (Derrida, Lacan, Foucault e Kristeva) vão desaparecer... E ela voltará a sorrir, sim, usando casaco de peles, na ponte Alexandre III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três defesas da França: há &lt;a href="http://www.lewrockwell.com/spectator/spec26.html"&gt;esta&lt;/a&gt;, e &lt;a href="http://membres.lycos.fr/fabinoche/binoche106.jpeg"&gt;esta&lt;/a&gt;. E há esta, um poema de Péguy, traduzido por Sérgio Milliet:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Será aborrecido, disse Deus, quando não houver mais esses franceses,&lt;br /&gt;há coisas que eu faço e que ninguém saberá compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Povo, os povos da terra te dizem leviano, &lt;br /&gt;porque és um povo arrebatado.&lt;br /&gt;Os povos fariseus te dizem leviano&lt;br /&gt;porque és um povo rápido.&lt;br /&gt;Já chegastes antes dos outros terem partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó povo inventor da catedral, não te achei leviano na fé,&lt;br /&gt;Ó povo inventor da cruzada, eu não te achei leviano na caridade.&lt;br /&gt;Quanto à esperança, nem vale a pena falar, não sobra pra mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim são os franceses, disse Deus. Não sem defeitos. Ao contrário. Têm até muitos defeitos.&lt;br /&gt;Mais defeitos do que os outros. &lt;br /&gt;Mas com todos os seus defeitos, eu os prefiro ainda aos outros, sabidamente com menos defeitos.&lt;br /&gt;Amo-os como são. Só eu, disse Deus, sou sem defeitos. &lt;br /&gt;Eu e meu filho. Um Deus tinha um filho. &lt;br /&gt;E como criaturas, sòmente três foram sem defeitos.&lt;br /&gt;Adão e Eva antes do pecado. &lt;br /&gt;Sem contar os anjos.&lt;br /&gt;E a Virgem temporal e eternamente&lt;br /&gt;na sua dupla eternidade.&lt;br /&gt;E duas mulheres foram puras embora carnais&lt;br /&gt;e foram carnais embora puras. &lt;br /&gt;Eva até o pecado. &lt;br /&gt;Eva e Maria. &lt;br /&gt;Maria eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os franceses são como todo mundo, disse Deus. Poucos santos, muitos pecadores.&lt;br /&gt;Um santo, três pecadores. E trinta pecadores. E trezentos pecadores. E mais.&lt;br /&gt;Mas eu prefiro um santo com defeitos a um pecador sem defeitos. Isto é,&lt;br /&gt;Prefiro um santo com defeitos a um neutro isento dêles. &lt;br /&gt;Eu sou assim. Um homem tinha dois filhos.&lt;br /&gt;Ora, mesmo assim, êsses franceses são os meus melhores servidores. &lt;br /&gt;Sempre foram, sempre serão meus melhores soldados na cruzada. &lt;br /&gt;E sempre haverá cruzadas.&lt;br /&gt;Êles me agradam em suma. Basta isso. Têm seus lados bons e seus lados maus.&lt;br /&gt;Têm seus prós e seus contras. Eu conheço o homem.&lt;br /&gt;Sei muito bem o que se deve exigir do homem. &lt;br /&gt;E principalmente o que não se deve exigir.&lt;br /&gt;Se alguém o sabe sou eu. &lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90095963?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90095963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90095963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90095963' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-90030221</id><published>2003-03-03T00:55:00.000-03:00</published><updated>2003-03-03T00:57:04.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Não ponham o meu livro na boca&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Logo depois de dizerem que meu livro tem 14 cm de largura, a &lt;a href="http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=452526"&gt;Saraiva online&lt;/a&gt; diz que ele tem "a profundidade de 1 cm". Essa é a crítica mais devastadora que já tive; mas se querem saber, nem é verdade. Meu livro tem a profundidade de 1,1 cm. Muito profundo! Muito profundo! (Se acham que 0,1 cm não é nada, permitam-me enfiar 0,1 cm de pó de mica nos seus olhos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois eles ainda dizem que o meu livro não é comestível. Fico me perguntando quem foi testar isso. Será que eles testam livro por livro? Ou só o meu? Terá sido a única coisa que encontraram de ruim pra dizer sobre o meu livro? "Bom até é, mas não dá pra comer. Cotação: *** "&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-90030221?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90030221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/90030221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90030221' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89982111</id><published>2003-03-02T01:04:00.000-03:00</published><updated>2003-03-07T02:14:42.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;O suplício do gosto&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Cada vez que ouço a palavra “tesão” no sentido figurado (quase sempre é “tesão pela vida”, ou “é preciso ter tesão pelas coisas, entende?”), sinto dores nas juntas, todas elas, mas principalmente nos joelhos e artelhos, e não consigo nem ficar de pé, e caio no chão me contorcendo e gritando. Fui no médico achando que era gota, mas ele disse que não, é bom-gosto. Humm...&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;b&gt;...but all the rest are bores&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Existe uma Coisa. Estou longe da Coisa, olhando para a Coisa. Noto que muitas pessoas passam pela Coisa e cospem nela. Noto que essas pessoas são sempre imbecis. Começo a me interessar pela &lt;a href="http://www.catholictradition.org/creeds.htm"&gt;Coisa&lt;/a&gt;... &lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;b&gt;Preste atenção&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo que fala mal da “culpa judaico-cristã” é canalha.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89982111?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89982111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89982111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#89982111' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89939099</id><published>2003-03-01T01:37:00.000-03:00</published><updated>2003-03-01T04:47:46.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;PARAÍSO PERDIDO&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Perguntam-me como passo o carnaval. Traduzindo Milton, ora – como mais? Como &lt;i&gt;vocês&lt;/i&gt; passam o carnaval?&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Livro I&lt;br&gt;&lt;br&gt;Sobre a primeira desobediência&lt;br /&gt;Do homem, e o fruto proibido&lt;br /&gt;Cuja mordida trouxe a morte ao mundo&lt;br /&gt;E dor, e expulsão do Paraíso,&lt;br /&gt;Até que Cristo nos leve de volta,&lt;br /&gt;Canta, Musa Sagrada, que no topo&lt;br /&gt;Do Orebe ou do Sinai a inspiração&lt;br /&gt;Deste ao Pastor que ensinou primeiro&lt;br /&gt;Como, no início, os céus e a terra&lt;br /&gt;Se ergueram do Caos; ou se preferires... &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Traduzo um decassílabo, jogo confete para o ar, traduzo mais um decassílabo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só falar em carnaval que sinto a métrica miltoniana descendo aos meus pés. Quem não gosta de Milton é ruim da cabeça ou doente dos pés* - ou talvez seja um branco sem senso de ritmo, que não percebe a música miltoniana só por causa da ausência de rima**. Quantas vezes, meu Deus, não subi os morros do Rio recitando &lt;i&gt;Samson Agonistes&lt;/i&gt;, e logo logo as mulatas vinham requebrando inconscientemente ao ritmo do malemolente bardo de Londres... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou mesmo hoje: experimente entrar num bar, lendo as linhas 157 e seguintes do &lt;i&gt;Paraíso Perdido&lt;/i&gt; ("Fallen Cherub, to be weak is miserable/ Doing or Suffering..."), e você vai ver que logo uma mulher não agüenta, sobe na mesa e começa a requebrar só de sutiã. Não falha nunca!&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;*entendeu? pés? métrica? hein? hein?&lt;br /&gt;**os paulistas são assim. São Paulo é o túmulo de Milton.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89939099?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89939099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89939099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#89939099' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89879585</id><published>2003-02-28T00:43:00.000-03:00</published><updated>2003-02-28T01:02:03.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Silicone&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Acho até Ok e &lt;I&gt;très chic&lt;/i&gt; bombardear uma clínica de aborto (ouço os pacifistas indignados: &lt;i&gt;mas e as criancinhas?&lt;/i&gt;), mas queria que alguém inaugurasse o digno esporte de explodir clínicas de cirurgia plástica estética. Essas clínicas pegam mulheres bonitas, feias e insossas e as igualam na feiúra peituda. E os seios saem excessivamente redondos, como uma bexiga cheia de água, e às vezes, repare bem, até quadrados. O sorriso de uma mulher que colocou silicone nos seios é sempre feio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querer uma mulher siliconada é parafilia. É como querer uma mulher chamada Edinéia. Elas são mostradas no alto dos carros alegóricos justamente para causar o frisson do horror - é a nossa versão dos freak shows americanos. Os camarotes VIP também são a nossa versão dos freak shows americanos. Bem, temos muitas versões de freak shows americanos: nosso presidente engole seus próprios dedos, um a cada 50 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma mulher que se balança pelada num carro alegórico tem mente. Foram criadas num buraco de um metro de largura por dois de profundidade, onde ficam pulando à espera de comida (carne crua), como as criaturas monstruosas em &lt;i&gt;O Caso de Charles Dexter Ward&lt;/i&gt;, de Lovecraft.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem contar que me dá nojo. O silicone, digo. Bom, acho que a todos nós... Tenho a impressão que se uma mulher dessas chegasse perto de mim, com sua cara amassada (elas têm sempre a cara amassada, devem apanhar muito), eu cutucaria o seio dela com um galho comprido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens que gostam de seios siliconados gostam exatamente disso, de seios siliconados – e não propriamente de mulher. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89879585?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89879585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89879585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89879585' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89826761</id><published>2003-02-27T05:18:00.000-03:00</published><updated>2003-02-27T12:40:48.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Sammy J.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ia dizer que estou apaixonado por Samuel Johnson, mas considerando-se o nível de alguns poucos, mas barulhentos leitores de blogs, acho melhor não dizer. Mas, bolas, já disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou lendo &lt;i&gt;Lives of the English Poets&lt;/i&gt;, Vol. 1 (1779), no qual Johnson fala sobre vários poetas, como Milton, Cowley, Samuel Butler, Flag, Dryden , Addison e outros. Que posso dizer? Johnson nunca está errado. Às vezes até está errado, mas está errado de uma maneira tão inteligente que envergonha todos que estão certos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Johnson sobre Milton, então, é um dos tais Momentos Mais Altos do Espírito Humano, sobre os quais falava ontem, lembra? Ouça isto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;He seems to have been well-acquainted with his own genius, and to know what it was that nature had bestowed upon him more bountifully than upon others; the power of displaying the vast, illuminating the splendid, enforcing the awful, darkening the gloomy, and aggravating the dreadful: he therefore chose a subject on which too much could not be said, on which he might tire his fancy without the censure of extravagance. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(“Ele parece ter tido uma boa noção de seu próprio gênio, e saber o que a natureza lhe deu com mais generosidade do que aos outros; o poder de descrever o que é grandioso, iluminar o que é esplêndido, reforçar o que é terrível, escurecer o  que é sombrio, e agravar o que é medonho: e portanto escolheu um tema sobre o qual por mais que dissesse, diria pouco; no qual poderia cansar sua imaginação sem que lhe censurassem por extravagância.”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton tinha um temperamento de polemista. Era rude, até mesmo grosseiro, nos panfletos que escrevia. Brigou com um certo Salmasius; e Johnson diz que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;As Salmasius reproached Milton with losing his eyes in the quarrel, Milton delighted himself with the belief that he had shortened Salmasius’s life; and both, perhaps, with more malignity than reason. Salmasius died at the Spa, September 3, 1653; and, as controvertists are commonly said to be killed by their last dispute, Milton was flattered with the credit of destroying him.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(“Da mesma forma que Salmasius disse que Milton havia perdido a vista devido à disputa, Milton gostava de acreditar que havia encurtado a vida de Salmasius; e ambos, provavelmente, tinham mais malícia que razão. Salmasius morreu em Spa, em 3 de setembro de 1653; e, como sempre se diz que polemistas foram mortos por suas últimas disputas, Milton se vangloriou de tê-lo destruído.”) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, lembrem-se que todos dizem que Paulo Francis morreu por causa de sua última polêmica - seu problema com a Petrobás. Johnson está discretamente dizendo, &lt;i&gt;provavelmente não&lt;/i&gt;; e Johnson está sempre certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estes versos de Sir Emmanuel Flag, do qual eu conhecia muito pouco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Where half the world went secretly to fish:&lt;br /&gt;Kapeeberib, and distant Kashangah...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Flag diz Johnson que  &lt;i&gt;... so Dr. Prat tells us in his biography, and I find no reason to disbelieve it, that his poetical genius gained strength  from the fact that a doctor predicted his early death by tuberculosis; and where other men would find only occasion to despair and squander their literary talents, Flag decided to devote himself to his muse, we all know with what astonishing results... His poem to the &lt;/i&gt;Three Ladies of Arashah&lt;i&gt; would be the brightest gem in the crown of any country’s literature...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(“...diz o Dr. Prat em sua biografia, e não vejo razão para não acreditar nele, que seu gênio poético ganhou impulso com o fato de que um médico predisse sua morte, ainda na juventude, de tuberculose; e onde outros homens teriam apenas encontrado um motivo para o desespero, ou para o desperdício de seus talentos literários, Flag decidiu se dedicar à sua musa – todos nós sabemos com que extraordinários resultados. Seu poema para as &lt;i&gt;Três Damas de Arashah&lt;/i&gt; seria a jóia mais brilhante na coroa da literatura de qualquer país...”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quê não há poetas como Flag no Brasil? Vejam a seleção de poetas ingleses que Johnson colocou no primeiro e segundo volumes de seu livro – todos nascidos no espaço de um século – e se sintam humilhados. E Johnson em si! Como crítico, ele é maior do que a maior parte dos poetas dos quais fala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89826761?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89826761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89826761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89826761' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89758837</id><published>2003-02-26T02:19:00.000-03:00</published><updated>2003-02-26T14:32:36.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Pequenas grandezas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ontem falei do ponto mais baixo atingido pelo intelecto humano (Tom Zé). Agora me deixem falar sobre alguns dos pontos mais altos. Tirando os óbvios: os profetas, os clássicos – porque isso te faria bocejar. A mim também: me encheria de desgosto ter que lembrar a você que Milton é grandioso. Minha mandíbula se travaria de ennui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, há espíritos que atingiram a grandeza e nunca são propriamente reconhecidos por isso. Thomas Hood o Jovem (1835-74), por exemplo – um poeta cômico. Mal se encontra uma menção a Thomas Hood o Jovem na Internet. Mas ele escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;...Lo! the Sun, among the daughters&lt;br /&gt;Of the sea, his chariot cools, -&lt;br /&gt;Gilds the glassy-looking waters –&lt;br /&gt;Gilds the looking-glassy pools!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And the sunset sea is placid&lt;br /&gt;With its foam-line long and straight,&lt;br /&gt;Fizzing like tartaric acid&lt;br /&gt;Mixed with Soda’s carbonate...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É engraçadinho, Alexandre – mas você não está exagerando ao dizer que esse é um dos pontos mais altos do espírito humano?”  Bem, me deixe exagerar. E depois as pessoas quase nunca vêem grandeza nos gênios cômicos. Em &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=580"&gt;Edward Lear&lt;/a&gt;, por exemplo. E Walter de la Mare. E em letristas do tipo de Ira Gershwin:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Away with the music of Broadway!&lt;br /&gt;Be off with your Irving Berlin!&lt;br /&gt;Oh, I’d give no quarter&lt;br /&gt;To Kern or Cole Porter,&lt;br /&gt;And Gershwin keeps pounding on tin.&lt;br /&gt;How can I be civil&lt;br /&gt;When hearing this drivel?&lt;br /&gt;It’s only for night clubbing souses&lt;/i&gt;, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=774"&gt;Noël Coward&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Don't put your daughter on the stage, &lt;br /&gt;Mrs. Worthington, &lt;br /&gt;Don't put your daughter on the stage. &lt;br /&gt;One look at her bandy legs should prove &lt;br /&gt;She hasn't got a chance, &lt;br /&gt;In addition to which &lt;br /&gt;The son of a bitch &lt;br /&gt;Can neither sing nor dance, &lt;br /&gt;She's a vile girl and uglier than mortal sin, &lt;br /&gt;One look at her has put me in &lt;br /&gt;A tearing bloody rage, &lt;br /&gt;That sufficed, &lt;br /&gt;Mrs. Worthington, &lt;br /&gt;Christ! &lt;br /&gt;Mrs. Worthington, &lt;br /&gt;Don't put your daughter on the stage.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria mencionar Alan Jay Lerner:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;The night they invented Champagne, &lt;br /&gt;It's plain as it can be, &lt;br /&gt;They thought of you and me. &lt;br /&gt;The night they invented Champagne, &lt;br /&gt;They absolutely knew, &lt;br /&gt;That all we'd want to do &lt;br /&gt;Is fly to the sky on Champagne, &lt;br /&gt;And shout to everyone in sight: &lt;br /&gt;That since the world began, &lt;br /&gt;No woman or man &lt;br /&gt;Has ever been as happy as we are tonight! &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...mas tenho medo que um certo amigo meu esmurre mais uma vez o teclado porque estou fazendo longas citações em inglês. Então me deixe falar de Robert Desnos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Kangourou premier, roi des Kangourous,&lt;br /&gt;Ayant accroché son grand sabre au clou&lt;br /&gt;S’assoit dans un trône em feuilles de chou.&lt;br /&gt;Sa femme arrivant, pleine de courroux,&lt;br /&gt;Dans sa poche a mis ses fils et ses sous,&lt;br /&gt;Ses gants, son mouchoir et ses roudoudous.&lt;/i&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tudo bem, eles são bons, e divertidos, Alexandre – mas será que são grandes?” (Mas quem é que está falando comigo?) Bem, digamos ao menos que têm uma espécie de pequena grandeza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino falando de Cary Grant. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No filme &lt;a href="http://www.carygrant.net/wavs/grass.html"&gt;&lt;i&gt;The Grass is Greener&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, que é de 1961, Cary Grant faz uma das brincadeirinhas dele – finge que a xícara e o pires são um telefone, sorri para Deborah Kerr e diz “Hello!”  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, fique com Laurence Olivier e seu grito de raposa ferida em &lt;i&gt;Lear&lt;/i&gt; - para mim, esse pequeno gesto de Cary Grant é um dos Momentos Mais Altos do Espírito Humano. E é mais alto ainda porque é muito discreto, e quase ninguém o percebeu.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;B&gt;Mas e você, Alexandre?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ah, obrigado por perguntar. É verdade. Duas noites atrás estava num teatro ouvindo uma orquestra de câmara, quando tive um desses &lt;i&gt;Momentos Mais Altos do Espírito Humano&lt;/i&gt;. Pedi desesperado uma caneta e anotei estas palavras no programa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Girl from out of town,&lt;br /&gt;Playing the viola -&lt;br /&gt;What a lovely gown!&lt;br /&gt;What a lovelyola!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas lágrimas desfiguraram as luzes do teatro. Fiquei tão arrebatado pela beleza da vida que tive que me segurar para não chacoalhar uma velhinha de cabelo azul na minha frente. Apenas pus as mãos no pescoço dela e murmurei: &lt;i&gt;Je vois des anges! Je vois des anges!&lt;/i&gt; (mesmo nos meus transportes faço citações literárias sutis). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes me olho no espelho e me assusto com o meu próprio Talento. Seguro meu crânio e penso: “Meu Deus, Alexandre: o Poder que está aí dentro! O Poder! O Poder!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89758837?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89758837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89758837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89758837' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89688771</id><published>2003-02-25T00:54:00.000-03:00</published><updated>2003-02-25T16:19:04.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Morriconices, Tornatorices&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Há filmes que já começam emocionados. Você nem precisa ficar emocionado, porque o filme já está emocionado por você. O filme começa e você fica olhando a primeira cena, constrangido como se uma velhinha tivesse entrado na sua casa chorando.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;b&gt;O tal do nadir&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O ponto mais baixo do intelecto humano foi atingido no caderno Mais! (onde Mais?) deste domingo, num poeminha de Tom Zé que tenta definir a esquerda. O ponto mais baixo &lt;i&gt; de todos os tempos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu = tu&lt;br /&gt;é uma irmanação religiosa.&lt;br /&gt;Quando eu = integrar tu&lt;br /&gt;é a utopia terrena.&lt;br /&gt;Quando eu = saber que existe tu&lt;br /&gt;é a esquerda política.&lt;/i&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;b&gt;Pacifismo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O Polzonoff está fazendo um concurso para ver o melhor texto antiguerra – o mais bem-argumentado, e o mais livre de clichês. Como ele, também queria ser convencido de que essa guerra não é necessária. Clique &lt;a href="http://polzonoff.blogspot.com/2003_02_01_polzonoff_archive.html#89623177"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;i&gt;Easy does it.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89688771?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89688771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89688771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89688771' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89651456</id><published>2003-02-24T13:54:00.000-03:00</published><updated>2003-02-24T14:09:26.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Blasfêmias&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Um amigo que mora no Rio me mandou por email esta mensagem sobre um filme bobo em que Deus, na figura de Antonio Fagundes, usa cueca vermelha: “Todo blasfemador tem um desejo oculto, e quase sempre é frustrado porque as reações de Deus são muito diferentes das reações humanas. Quanto à desenvolta iniciativa da produção do filme, isso se explica pelo triste agachamento dos nossos bispos diante dos jornalistas e da televisão..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é idiota (sinto as emanações de idiotice vindo dele – não preciso vê-lo), mas acho que existem pelo menos dois tipos de blasfemadores, que muito chatamente distinguirei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas pessoas insultam Deus: uma porque não acredita nele e quer ser engraçada; outra porque realmente acredita nele e o odeia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é pior? Embora a segunda seja malévola e a primeira não, tenho a certeza que a primeira é muito pior. Esse tipo de ateísmo ou agnosticismo despreocupado é a pior forma de insensibilidade e canalhice. Alguém perpetuamente indiferente à Melhor Coisa de Todas. O sujeito que odeia Deus ao menos acredita nele, e o leva a sério. E uma vez li que Mestre Eckhart disse: &lt;i&gt;quanto mais blasfemamos, mais agradamos a Deus&lt;/i&gt;. Não sei bem o que Mestre Eckhart quis dizer com isso, mas suponho que a o blasfemador agrada a Deus na medida em que não o ignora bestamente. É um princípio que funciona com homens também: é melhor ser odiado que ignorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior insulto à religião é se livrar dela alegremente e ir dançar charleston. Ou fox-trote, ou sei lá o que vocês estão dançando agora*. Acho mesmo que é melhor ser satanista que ser ateu ou agnóstico. É melhor ser Gilles de Rais do que ser alguém, digamos, como Marilena Chauí.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*alguma coisa com uma garrafa, sei lá eu. Trenzinhos gays. Realmente não faço idéia. Parei de aprender as danças na época do &lt;i&gt;Danilo Cooper&lt;/i&gt;, que vocês podem ver descrito em &lt;i&gt;Guerra e Paz&lt;/i&gt;. Sou inteiramente a favor da volta do &lt;i&gt;Danilo Cooper&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89651456?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89651456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89651456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89651456' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89585973</id><published>2003-02-23T03:06:00.000-03:00</published><updated>2003-02-23T03:17:40.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Imitate the action of the tiger&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas tão más que até mesmo seus impulsos bons são ruins. Assim que resolvem ajudar a humanidade, a primeira coisa que fazem é odiar quem acham que não ajuda a humanidade. Acabam não ajudando a humanidade, porque se esquecem disso entre um cochilo e outro. Mas preservam o ódio. Cuidado com as pessoas que têm lindos sentimentos no atacado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja, por exemplo, as manifestações pela paz. São caras de ódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa é a acusação bobinha de que quem defende a guerra é um general-de-pijama. Alexander Cockburn chamou  Christopher Hitchens de &lt;i&gt;barstool bombardier&lt;/i&gt; outro dia desses. E é só você dizer que a guerra é necessária que alguém diz: &lt;i&gt;então aliste-se&lt;/i&gt;. Isso faz tanto sentido quanto dizer &lt;i&gt;então seja um&lt;/i&gt; para alguém que diz que é bom que existam médicos. Numa guerra lutada por profissionais, onde nenhum pacifista está sendo arrancado guinchando de debaixo da cama, essa frase do &lt;i&gt;então aliste-se&lt;/i&gt; não faz muito sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou dizer &lt;i&gt;então aliste-se&lt;/i&gt; para Jorge Luis Borges, que escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Déjame, espada, usar contigo el arte;&lt;br /&gt;yo, que no he merecido manejarte.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, sério mesmo, não posso ir à guerra para não interromper meu tratamento de calvície. Tenho que tomar uma pílula todos os dias à mesma hora. &lt;i&gt;À mesma hora&lt;/i&gt;. Imagine a dificuldade de manter horários regulares durante uma batalha. Não quero voltar da guerra careca, e ser apontado na rua como uma vítima trágica da insanidade humana. &lt;i&gt;Coitado, quando ele foi tinha uma vasta cabeleira... Shhh, fala baixo...&lt;/i&gt; Aparecer distorcido eletronicamente num documentário de tevê. Só gentinha é distorcida eletronicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ah, gosto do Alexandre quando ele fala de coisas leves, mas quando ele se mete a falar de coisas sérias mete os pés pelas mãos.” Pode ser, até concedo; mas nisso não sou diferente da maior parte das pessoas. Ou você acha que esses molequinhos que insistem que Bush quer a guerra porque é malvado e cúpido sabem o que estão dizendo? Besteira por besteira, fico com as minhas, que são mais bem-escritas.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89585973?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89585973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89585973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89585973' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89533414</id><published>2003-02-22T00:39:00.000-03:00</published><updated>2003-02-22T00:48:04.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;UM SUSTO NA ÓPERA&lt;/b&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;Ouvindo a &lt;i&gt;Tosca&lt;/i&gt; num teatro em Milão, um homem dormia tranqüilo; mas quando, no segundo ato, Tosca gritou &lt;i&gt;assassino!&lt;/i&gt;, acordou assustado achando que era com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mulher perguntou preocupada o que havia acontecido, mas o homem ficou horrorizado olhando pra ela. Teve a certeza que o grito tinha vindo dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu explico – ele disse.&lt;br /&gt;-Explica o quê? – disse a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele ficou ainda olhando pra ela durante vários segundos, de testa franzida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olha, Natália. Olha – ele disse, sem saber bem onde estava, e agarrando a mão dela – Escuta. Seu irmão ia morrer de qualquer maneira.&lt;br /&gt;-O quê?&lt;br /&gt;-Hã? Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por pouco. Por muito pouco. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89533414?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89533414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89533414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89533414' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89483969</id><published>2003-02-21T04:15:00.000-03:00</published><updated>2003-02-21T20:24:12.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Lejos del mar y de la hermosa guerra&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Ainda não decidi se sou contra ou a favor desta guerra. O mundo aguarda ansiosamente que eu decida. Mas sobre guerras em geral – me parece que há algo suspeito na campanha antiguerra feita pelos tempos modernos. Se não houvesse nada de bom na guerra, garotos não teriam sonhado, ao longo de milênios, com uniformes e batalhas. Não brincariam com soldadinhos de chumbo. Garotos sempre sabem o que é bom e o que é glorioso. Depois esquecem, mas antes sabiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de séculos, de milênios, homens melhores do que eu ou você se entregaram completamente ao estudo e prática da guerra. O melhor decassílabo que conheço é de Borges e é sobre a glória da guerra: &lt;I&gt;Gram, Durendal,  Joyeuse, Excalibur&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente, a chatice da guerra me assusta um pouco. Lendo &lt;i&gt;Officers and Gentlemen&lt;/i&gt;, que é o segundo romance da trilogia &lt;i&gt;Sword of Honour&lt;/i&gt;, de Evelyn Waugh, percebe-se o quanto a guerra deve ser chata na maior parte do tempo. Assina papel aqui, dá baixa acolá. Compra uniforme, cuida do uniforme. Inspeção médica. Muda da barraca A para a barraca B. Da barraca B para a barraca C. Acorda cedo. Não posso ir pra guerra porque não consigo acordar cedo, por favor compreendam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz pouco, no Rio, tive o prazer de ver o &lt;a href="http://fdr.blogspot.com"&gt;Fabio Danesi Rossi&lt;/a&gt; abrindo uma garrafa de Taittinger enquanto cantava Irving Berlin:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;This is the army, Mister Jones!&lt;br /&gt;No private rooms or telephones.&lt;br /&gt;You had your breakfast in bed before&lt;br /&gt;But you won't have it there any more.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito desagradável (a guerra, digo - não o Fabio cantando.) Sem café-da-manhã na cama? Humm. Acho que é por isso que Benjamim Franklin disse que não havia guerra boa, nem paz ruim. E olha como a música continua:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;This is the army, Mister Green!&lt;br /&gt;We like the barracks nice and clean.&lt;br /&gt;You had a housemaid to clean your floor&lt;br /&gt;But she won't help you out anymore.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma verdadeira Guernica musical. E a intimidade forçada com idiotas! O &lt;a href="http://polzonoff.blogspot.com/2003_02_01_polzonoff_archive.html#89367271"&gt;Polzonoff&lt;/a&gt; escreveu um belo texto sobre guerra e honra. Dá uma olhada nos comentários cretinos. Só de me imaginar dividindo uma barraca com essa gente – gente cheia de sentimentos delicadinhos - percebo os horrores da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas termino com uma frase famosa de Samuel Johnson. Que todo homem se sente diminuído por não ter seguido a carreira de soldado. Confesse, confesse. Eu me sinto. E quem foi que disse mesmo – esqueci, meu Deus – que um homem que nunca esteve numa batalha é como uma mulher que nunca teve um filho – alguém, em suma, que foi privado da experiência maior de que seu sexo é capaz? Alguém disse isso, e me soa sensato.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89483969?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89483969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89483969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89483969' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89407166</id><published>2003-02-20T00:09:00.000-03:00</published><updated>2003-02-20T00:22:13.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;i&gt;(fragmento de conto de fadas)&lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;CONTO DO ESCRITOR QUE FOI ESQUECIDO&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;"Acordando no meio da noite, séculos atrás, um escritor famoso viu um vulto encurvado sobre a sua mesinha de estudos. Era um velho barbudo, que passava um pincel nas páginas de todos os livros que o escritor tinha escrito, cobrindo as palavras com uma resina verde-clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	-O que é isso? Que substância é essa? – o escritor perguntou.&lt;br /&gt;	-Senhor: isto é o esquecimento – disse o velho barbudo, olhando para o escritor como se tivesse pena, e desaparecendo em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Horrorizado, o escritor foi até a mesa e viu que todas as páginas que tinha escrito na vida estavam cobertas pela resina, e que todas as palavras estavam borradas (...)" &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;i&gt;(fragmento do livro "Contos de Fadas para Crianças com Nervos de Aço", que algum dia escreverei)&lt;/i&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89407166?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89407166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89407166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89407166' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89350803</id><published>2003-02-19T01:06:00.000-03:00</published><updated>2003-02-19T19:25:34.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O Inferno é um imenso &lt;a href="http://www.sedes.org.br/"&gt;Sedes Sapientiae&lt;/a&gt;, com cursos como estes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-Michel Foucault e Gilles Deleuze. O pensamento da Desconstrução, a Filosofia da Diferença e as Instituições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sujeito e Subjetividades no Pensamento Filosófico e Contemporâneo – Nietzsche, Foucault e Morin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Dialogando com a Deficiência: Exercitando o Inverso – Como trabalhar estrategicamente com a inclusão em sala de aula.&lt;/i&gt; (Muito útil para incluir os aleijadinhos malignos e tímidos nas atividades sociais do inferno)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só esses cursos são satânicos, como a própria linguagem é satânica. Sujeito, Subjetividade, Desconstrução, Inclusão, são as palavras favoritas de Satã. E dizem que ele também gosta muito de Alteridade.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89350803?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89350803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89350803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89350803' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89287185</id><published>2003-02-18T02:25:00.000-03:00</published><updated>2003-02-18T02:25:32.046-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Sprezzatura&lt;/b&gt;&lt;br&gt; O Renascimento teve um ideal que foi esquecido: não apenas ser um homem completo, dominar várias artes e ciências - mas sobretudo dominá-las &lt;i&gt;sem esforço&lt;/i&gt;. Isso era chamado de &lt;a href="http://wso.williams.edu/~espence/sprezzmeaning.html"&gt;&lt;i&gt;sprezzatura&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;. Nossa época despreza completamente essa história de &lt;i&gt;sem esforço&lt;/i&gt;, e faz, pelo contrário, questão de exibir esforço; afinal o que são barrigas de tanque-de-lavar-roupa e braços femininos musculosos, senão um exibicionismo do esforço desesperado e cotidiano? Como seriam consideradas essas esforçadas pessoas nas cortes renascentistas? Seriam tomados por cavalariços. A diligência é uma forma de vulgaridade...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89287185?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89287185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89287185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89287185' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89219286</id><published>2003-02-17T01:00:00.000-03:00</published><updated>2003-02-17T01:31:37.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Queria que o governo instituísse um imposto sobre a ignorância. Digamos nas estradas: a cada pedágio as pessoas têm que responder uma pergunta de conhecimentos gerais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o motorista:&lt;br /&gt;-Quem escreveu &lt;i&gt;Rasselas&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;-Samuel Johnson &lt;i&gt;(depois de uma leve hesitação).&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a mulher ao lado:&lt;br /&gt;-Quem escreveu &lt;i&gt;Zadig, ou la destinée&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;-Voltaire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o filho deles, um surfistinha de boné virado pra trás:&lt;br /&gt;-Que música é essa?&lt;br /&gt;-Humm... &lt;i&gt; Qual guardo il cavaliere &lt;/i&gt;, do &lt;i&gt;I Pagliacci&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;-Errou. É de fato &lt;i&gt; Qual guardo il cavaliere&lt;/i&gt;, mas &lt;i&gt; Qual guardo il cavaliere&lt;/i&gt; é uma ária de &lt;i&gt;Don Pasquale&lt;/i&gt;, não de &lt;i&gt;I Pagliacci&lt;/i&gt;. Um erro, dois acertos: cinco reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sim, porque paga-se cinco reais por erro.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensem no estímulo à cultura. Pensem nas pessoas estudando desesperadamente antes das férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visita chegando na cozinha e vendo a dona-de-casa tacanha lendo enquanto descasca ervilha.&lt;br /&gt;-Dona Josefa, que é isso?&lt;br /&gt;-Um tal de Raimundo Lúlio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tacanhos não viajarão. As praias serão agradáveis. Leitura de praia será Mircea Eliade.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89219286?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89219286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89219286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89219286' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89084121</id><published>2003-02-14T07:25:00.000-03:00</published><updated>2003-02-14T07:25:28.366-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Graça Divina&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Deus é um artista da leveza. Escreveu a História como uma comédia achampanhada, que a humanidade burra insiste em ler solenemente, mexendo os lábios. Quem percebe isso se torna santo - e levita. O Universo é um contínuo &lt;i&gt;bon-mot&lt;/i&gt; de milhões de anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89084121?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89084121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89084121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89084121' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89075319</id><published>2003-02-14T02:26:00.000-03:00</published><updated>2003-02-14T07:27:59.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Love me, love my umbrella&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Vou ao Rio hoje, o que significa que sábado e domingo não vou postar nada aqui. Aproveitem para reler algumas das coisas nos arquivos. Pensem em mim. Cliquem no botão &lt;i&gt;atualizar&lt;/i&gt; várias vezes, como prova de estima. E quanto às mulheres: me imaginem entrando pela janela do quarto, atado numa corda, com uma rosa na boca. Ah, como disse Giacomo Joyce: &lt;i&gt;love me, love my umbrella&lt;/i&gt;. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89075319?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89075319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89075319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89075319' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-89017457</id><published>2003-02-13T02:47:00.000-03:00</published><updated>2003-02-13T16:47:04.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Damned sitting ducks&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Humm... Estou eu aqui, sossegado, torcendo contra o nosso cinema, desejando danos vocais ao Arnaldo Antunes (o &lt;i&gt;Arnault Daniel&lt;/i&gt; da ruindade), quando vem uma amiga, na janelinha do MSN, e reclama com exagerada franqueza que eu tenho que parar de atirar nele. Que é um alvo fácil demais. Que desonra a minha &lt;i&gt;sportsmanship&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a culpa é minha? Tenho que parar de atirar nele só porque ele está lá paradão com aquela cara de idiota? Eu digo para ele: &lt;i&gt;Mexa-se, imbecil. É tão divertido atirar em você quanto atirar no mar&lt;/i&gt;. Mas ele só sorri, aquele sorriso estranhamente esquizofrênico, visto nas pessoas que acabaram de matar os pais. E diz: &lt;i&gt;Parado, parado. O alvo alvo parado. O alvo é calvo!&lt;/i&gt; É sempre nesse momento que não resisto e atiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, mil pessoas já atiraram nele, nesse momento, e pelo mesmo motivo. Ele está lá gemendo na campina. Mas até o jeito com que ele geme é irritante: &lt;i&gt;deus dor, adora deus... sacrifício sacrifezes... &lt;/i&gt; Mais mil tiros. Seu corpo quica na planície desolada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então está bem, ele &lt;i&gt;é&lt;/i&gt; um alvo fácil, um alvo alvo fácil. Mas caramba, nem bem a fumaça baixou e já dá para ouvi-lo repetindo palavras vagamente parecidas de novo. É só o que ele faz, é um autista... (&lt;i&gt;Artista autista...Todo artista é um autista&lt;/i&gt;, geme ele. Atiro de novo, e durante um breve, lírico segundo, vejo seus dentes voando como vespas contra o céu de verão.) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não tenham pena dele, porque ele não morre – ele é simbólico. Seu trabalho será continuado por cada jovem sem talento que achar &lt;i&gt;demais&lt;/i&gt; que luxo e lixo sejam palavras tão parecidas. Olhe, me distraí um minuto e ele já está sendo resgatado por professores universitários com bandeirinhas brancas. Só um segundo enquanto atiro no nariz postiço de Décio Pignatari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está bem, &lt;i&gt;quem&lt;/i&gt; é um alvo difícil, então? Me mostre, me mostre. Eles todos ficam rebolando na planície.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Monterroso&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Semana passada morreu Augusto Monterroso, um contista guatemalteco muito bom. Descobri um livro dele, anos atrás - &lt;i&gt;A Ovelha Negra&lt;/i&gt;, editora Record - por acaso, no balcão de saldos de uma livraria. Comprei porque achei engraçado e ele tinha sido traduzido por Millôr Fernandes. Dois minicontos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O RAIO QUE CAIU DUAS VEZES NO MESMO LUGAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um Raio que caiu duas vezes no mesmo lugar; porém achou que na primeira tinha feito estrago suficiente, que já não era necessário, e ficou muito deprimido.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O PORCO DA CRIAÇÃO DE EPICURO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma quinta dos arredores de Roma vivia faz vinte séculos um Porco pertencente à famosa criação de Epicuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Completamente entregue ao ócio, este Porco gastava os dias e as noites chafurdando na lama da vida regalada e fuçando nas imundícies de seus contemporâneos, aos quais observava com um sorriso cada vez que podia, que era sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Mulas, os Asnos, os Bois, os Camelos e outros animais de carga que passavam ao seu redor e viam o bem que ele era tratado por seu amo o criticavam acerbamente, trocavam entre si olhares de cumplicidade, e esperavam confiados o momento da degola; mas enquanto isso ele de vez em quando fazia versos contra eles e com freqüência os colocava no ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também se entretinha compondo odes e escrevendo epístolas, em uma das quais se animou inclusive a fixar as regras da poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que o tirava dos eixos era o medo de perder o seu bem-estar, que talvez confundisse com o medo da morte, e as leviandades de três ou quatro porquinhas, tão indolentes e sensuais quanto ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morreu no ano 8 antes de Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A este Porco se devem os dois ou três  melhores livros de poesia do mundo; porém o Asno e seus amiguinhos ainda esperam o momento da vingança.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-89017457?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89017457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/89017457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#89017457' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88955225</id><published>2003-02-12T01:48:00.000-03:00</published><updated>2003-02-12T03:27:43.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Torcida contra&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Começo hoje minha mui antipática torcida contra o Oscar para &lt;i&gt;Cidade de Deus&lt;/i&gt;, filme que ainda por cima nem vi e do qual tenho o maior nojo. Para tanto, apelarei para o Ghede dans le Miroir, o famoso espírito que vive dentro dos espelhos e atende mensagens escritas de trás pra frente – desde que, é claro, você tenha a delicadeza de mostrar a mensagem para o espelho. O que vou fazer agora. Se você também não quer que esse filme ganhe o Oscar, ponha um espelhinho na frente da tela e repita baixinho: Monsieur Ghede dans le Miroir, por favor venha e leia isto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;.suedA .odagirbO .o-odnahnag ,racsO o euqrupsnoc sueD ed edadiC otnauq odidrós oãt emlif euq atimrep oãn rovaf rop, rioriM el snad edehG rueisnoM &lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;!otrec ued áJ&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Espera, só agora vi &lt;a href="http://www.uol.com.br/diversao/reuters/ult26u12357.shl"&gt;isto&lt;/a&gt;; o que quer dizer que, além de antipática, minha torcida já chega atrasada. Digo, vitoriosa. Olha, põe o espelhinho na frente da tela de novo, por favor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; .etnemadapicetna otarG ?senutnA odlanrA ed siacov sadroc san onad mugla rasuac edop :iuqa átse êcov euq áj ,hA .adaçnacla açarg alep odagirbo, rioriM el snad edehG rueisnoM&lt;/i&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88955225?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88955225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88955225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88955225' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88894657</id><published>2003-02-11T02:02:00.000-03:00</published><updated>2003-02-11T18:02:45.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Verisimiles amorabonds uspiens et puciens et unicampiens&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Um dia Pantagruel, o gigante, encontrou na estrada um estudioso, e lhe perguntou de onde vinha. O estudioso lhe respondeu enroladamente, misturando francês com falso latim; mas um amigo de Pantagruel traduziu dizendo que ele vinha de Paris. O gigante então perguntou ao estudioso como passavam o tempo os acadêmicos em Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-Nous transfretons la Sequane au dilicule et crépuscule; nous déambulons par les compites et quadrivies de l’urbe; nous despumons la verbocination latiale, et, comme verisimiles amorabonds, captons la bénévolence de l’omnijuge, omniforme et omnigène sexe féminin. Certaines diecules, nous invisons les lupanares, et em ecstase vénéreique, inculcons nos veretres ès penitissimes recesses des pudendes de ces meretricules amicabilissimes...  &lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pantagruel não entendeu nada, e aos berros exigiu que lhe dissessem que raios de língua era aquela; um de seus amigos lhe disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Esse cara está tentando imitar a fala dos parisienses. Mas só está conseguindo assassinar o latim. Ele acha que está abafando, e se imagina um grade orador da língua francesa, só porque despreza o uso comum da língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pantagruel fez mais umas perguntas ao universitário, que continuou respondendo enroladamente; até que o gigante se irritou e o agarrou pelo pescoço, e gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por Deus, vou ensiná-lo a falar! Você mata o Latim, por São João! Vou arrancar sua pele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ai, senhor! Ai, Jesus! Me deixe em paz, pelo amor de Deus! Não me machuque!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pantagruel o soltou, dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Agora sim, você está falando naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a essa altura o universitário já tinha feito cocô nas calças. Pantagruel faz cara de nojo e o manda embora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me lembro dessa história quando leio o texto de professores universitários no jornal de domingo. Ouço até os pedidos de piedade, os guinchos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me pergunto quanto tempo leva para um professor de semiótica abandonar o jargão. As pessoas me vêem lendo Rabelais com uma aparência distraída, é inevitável que pensem: &lt;i&gt;Ah, como a literatura faz sonhar&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humm - por falar nisso, ontem à noite a Musa veio de novo:&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;ZANZIBAR'S DRINKING SONG&lt;/b&gt;&lt;BR&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;There is one place in Zanzibar&lt;br /&gt;Where all the trees are crosses.&lt;br /&gt;I once got drunk there in a bar&lt;br /&gt;And found the &lt;b&gt;crees&lt;/b&gt; are &lt;b&gt;trosses&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;But drinking more and more by far&lt;br /&gt;I saw the &lt;b&gt;srees&lt;/b&gt; are &lt;b&gt;srosses&lt;/b&gt;.&lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;(História verídica, &lt;i&gt;don't you know&lt;/i&gt;. Aconteceu comigo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88894657?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88894657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88894657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88894657' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88835567</id><published>2003-02-10T02:50:00.000-03:00</published><updated>2003-02-10T02:50:12.070-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quem andou de jet-ski jamais fará contribuição alguma para a humanidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88835567?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88835567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88835567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88835567' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88784579</id><published>2003-02-09T01:48:00.000-03:00</published><updated>2003-02-09T17:30:30.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;The Last Lion&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Não consigo não gostar de Churchill. Gosto de tudo - da cara de bravo, da bengala, das frases de espírito - vocês conhecem aquela, não? Que Churchill estava num jantar quando uma americana disse para ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O senhor está bêbado.&lt;br /&gt;-E a senhora, madame, é feia - ele respondeu - Mas ao menos eu, amanhã, vou estar sóbrio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto da história dos generais americanos que tomaram aulas de etiqueta porque iam jantar com ele, um descendente do primeiro duque de Malborough - e depois o viram horrorizados trocando as meias durante o jantar, com o pé em cima da mesa. Da coragem dele - arriscando a vida várias vezes - dos discursos dele, que são uma das poucas coisas que realmente me emocionam e que acho realmente nobres. Gosto até dos quadros dele. Há uma sala azul muito bonita no Masp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E olhe, ele escreveu isto sobre Hitler:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;He forgot about the winter. There is a winter, you know, in Russia. For a good many months the temperature is apt to fall very low. There is snow, there is frost, and all that. Hitler forgot about the Russian winter. He must have been very loosely educated. We all heard about it at school; but he forgot it. I have never made such a bad mistake as that.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;("Ele esqueceu o inverno. Tem um inverno, sabe, na Rússia. Por vários meses a temperatura geralmente fica bem baixa. Neve, geada, essas coisas. Hitler se esqueceu do inverno russo. A educação dele não deve ter sido das melhores. Nós todos aprendemos isso na escola, mas ele esqueceu. Eu nunca cometi um erro tão ruim quanto esse.")&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Dresden&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Mas é claro que só gosto de Churchill por uma casualidade: não estou escrevendo isto em &lt;a href="http://www.rense.com/general19/flame.htm"&gt;Dresden&lt;/a&gt;, na noite de 13-14 de fevereiro de 1945.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88784579?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88784579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88784579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88784579' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88739873</id><published>2003-02-08T00:39:00.000-03:00</published><updated>2003-02-08T01:29:42.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;L'omnijuge, omniforme et omnigène sexe féminin&lt;/b&gt;&lt;br&gt;Em toda mulher bonita há crueldade. É como se ela estivesse sentada numa pilha de moedas de ouro. Os mendigos passam e vêem aquilo; alguns pedem uma moeda ou duas. Faria tanta diferença na vida deles; na vida dela, tão pouca. Mas ela, por capricho, não dá. Pior: para fazer com que a pilha de moedas fique mais tentadora, ela cobre parte da pilha com uma capa, que tem fendas colocadas especialmente para que se deixe ver o ouro brilhando aqui e acolá. E dia sim, dia não, ela limpa as moedas, para que elas brilhem ainda mais. Ela sente prazer no olhar de desejo que o mendigo lhe lança. Mas, se ele estender a mão e roubar algumas moedas, é crime... E assim todos os dias passa o mendigo na frente da mulher que, não por mérito, mas por destino, está sentada em uma pilha de moedas de ouro; e ele não pode deixar de pensar: &lt;i&gt;Custaria tão pouco a ela... Por quê ela não me dá? Por quê ela não me dá uma moedinha só? Eu me contentaria com uma moedinha só...&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88739873?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88739873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88739873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88739873' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88688599</id><published>2003-02-07T01:51:00.000-03:00</published><updated>2003-02-08T04:19:59.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Patriotismo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não vejo nada de ridículo no patriotismo*. O problema é que a palavra foi usada quase sempre por imbecis. Mas o sentimento em si é natural: você ama a rua em que viveu, porque tem memórias ali; ama o seu bairro, sua cidade, um certo corredor da sua universidade, um certo trecho atrás da quadra de vôlei do seu colégio, porque tem memórias ali. Isso é o seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu problema é que o meu país é em grande parte os livros que li e os filmes que vi. E isso não é o Brasil, é alguma outra coisa. Li mais sobre Belgrave Square do que sobre a Praça da Sé. Tenho mais memórias do castelo de Blandings, criado em livros por P.G. Wodehouse, do que do terreno baldio perto da minha casa, onde só brinquei uma vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O território do meu país: alguns quilômetros quadrados de páginas impressas, mais quinze trechos de rua em São Paulo, Rio, Lisboa, mais uma certa idéia de Londres, Paris, São Petersburgo, mais a minha poltrona, mais a minha tevê a cabo. O apartamento do Seinfeld. Narnia. O Sítio do Picapau Amarelo. Que rio corta a minha cidade? O Neva, que às vezes é o Tâmisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como deve ser bom simplesmente se sentir confortável no próprio país, no país oficial, no Brasil; não ter essa necessidade de ler sobre Washington Square ou a Perspectiva Névski. Mas se fico algumas horas passeando pelo centro da cidade, começo a sentir saudade da Perspectiva Névski, onde meus compatriotas passeiam na neve, falando português de tradução. Conheço bem o mapa de São Petersburgo e de Moscou, mas me perco sempre nesta cidade... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda há quem fale mal de quem não gosta do Brasil! Poder gostar do Brasil - poder me sentir tão bem aqui quanto me sinto no país da &lt;I&gt;Rússia Traduzida de Boris Schnaiderman&lt;/i&gt; - não posso imaginar nada melhor do que isso... Quem, aparentemente sendo brasileiro, fala mal do Brasil, não faz isso por maldade, ou por afetação; faz isso porque se sente desconfortável aqui como se estivesse no estrangeiro. E ainda é odiado pelos patriotas que confortavelmente vivem no país que amam.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;*&lt;i&gt;Sinto as repercussões de frase tão polêmica: "Oh, o Alexandre não vê nada de ridículo no patriotismo! Meu Deus, Meu Deus! Baseei toda a minha vida numa ilusão", etc, etc.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88688599?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88688599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88688599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88688599' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88628079</id><published>2003-02-06T00:47:00.000-03:00</published><updated>2003-02-06T01:09:32.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Minha idéia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Já que agora todo filme brasileiro tem que ter seqüestro e rappers, eis a minha idéia. Um rapper é seqüestrado por um bando de professores de literatura. Eles o mantém preso num apartamento nos Jardins, e o ensinam à força o que é prosódia. Obrigam o rapper a decorar trechos de Dryden, Pope, Camões, Coleridge. Obrigam-no também a se vestir melhor e a gesticular um pouquinho menos. Depois o soltam na favela. O rapper lança um álbum de rap (em anapestos) sobre Zéfiros brincando com as tranças de sua amada.  Sem saber bem como reagir, a &lt;i&gt;comunidade&lt;/i&gt; o ameaça de morte. O rapper busca refúgio no apartamento em que ficou um ano cativo; e em homenagem aos seus professores, lança um álbum em que canta loas à elite em dísticos popeanos. Descem os créditos enquanto o rapper canta, com gestos mínimos e elegantes, tendo ao fundo a neve de Gstaad: &lt;i&gt;O meu seqüestro teve uma seqüela, / Tirou a minha mente da favela...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88628079?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88628079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88628079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88628079' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88568800</id><published>2003-02-05T00:31:00.000-03:00</published><updated>2003-02-05T00:49:35.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Blogs&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A vida inteligente neste país existe nos blogs – não nos livros, não nos jornais, e certamente não nas academias. Leio todos os dias quatro ou cinco blogueiros que são melhores do que Ivan Lessa. Daqui a vinte e cinco anos a Veja vai descobrir isso (“Veja: a revista que é informada pelo público”). E algum dia um blogueiro vai ser verbete de enciclopédia: “Fulano de Tal, blogueiro, nasceu em...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me incomoda um pouco, às vezes, é encontrar um blog em que o sujeito tem talento, escreve bem, é engraçado, é culto; mas por algum motivo parece se contentar em ser um cara num boteco escrevendo sobre peidos e arrotos. “Ora, há coisas piores do que ser um cara num boteco escrevendo sobre peidos e arrotos”. Certamente que há. Boa sorte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escritores brasileiros têm aristofobia: convivem com intelectuais, viajam a Paris, mas escrevem sempre sobre matutos, prostitutas, mendigos. Amor pela sordidez e pela caracu-com-ovo. &lt;i&gt;Nostalgie de la boue.&lt;/i&gt; Queria que essas pessoas tivessem a coragem de ser um pouco, mas só um pouco, metidas a besta.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88568800?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88568800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88568800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88568800' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88510456</id><published>2003-02-04T00:40:00.000-03:00</published><updated>2003-02-04T00:54:26.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quantos homens, que não gostam de futebol, ficam vendo a Soninha falar de futebol durante longos minutos? Eu fico. Quantos homens, que odeiam política latino-americana, ficam vendo a Patricia Janiot falar de política latino-americana? Eu fico - olhos fixos no biquinho-de-viúva (há algo de suicida em mim que me faz amar as mulheres com biquinho-de-viúva). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, em 1939, uma alemã linda, morena, de olhos azuis, fazendo cafuné em você, dissesse que é nazista, você ficaria embaraçado, mas no final só diria isto: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não sei muito sobre o assunto, mas tenho que confessar que não concordo com algumas coisas que os nazistas fazem.&lt;br /&gt;-Ah, por quê, &lt;i&gt;liebchen&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;-Não sei...&lt;br /&gt;(beijinhos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mulheres que são tão lindas que chegam a ser místicas. Você sente uma vergonhosa, mas profunda, vontade de se ajoelhar e beijar os pés delas. (Não me digam que sou só eu.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que uma vez, na adolescência, estava passando por uma banca, e vi uma capa de revista com uma modelo linda. Subitamente senti a dor de descobrir que, acontecesse o que acontecesse, eu nunca teria todas as mulheres bonitas do mundo. Era uma ladeira; continuei subindo a ladeira sentindo essa dor que era tão forte quanto uma angina. Um quarteirão depois minha otimista mente havia tido uma visão do paraíso muçulmano, e a dor passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paraíso muçulmano existe para isso mesmo e ele é real, &lt;i&gt;real&lt;/i&gt;, ouviram? Todas as mulheres bonitas vão para lá e as que eram feias ficam bonitas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você é o único homem naquele palácio gigantesco de mármore rosa, que fica no centro de um oásis, que fica no centro de um deserto. Às vezes vocês ouvem trombetas, e vão até um balcão ver o Profeta passar montado num elefante. As mulheres batem palminhas e algumas delas (as árabes) ululam arabicamente. Depois que o Profeta passa, vocês voltam aos seus, digamos, &lt;i&gt;jogos venéreos&lt;/i&gt;, e às suas intrincadas batalhas de almofadas de seda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso dura uma eternidade; e você nunca cansa. O sentimento é sempre, &lt;i&gt;sempre&lt;/i&gt;, o de início de férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88510456?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88510456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88510456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88510456' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88451208</id><published>2003-02-03T00:21:00.000-03:00</published><updated>2003-02-03T00:45:18.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Monteiro Lobato sobre a Proclamação da República&lt;/b&gt;&lt;br&gt;"(...) A nação não reage, inibida pela surpresa e também porque lhe acenam logo com um programa de maravilhas, espécie de paraíso na terra. É sempre assim. Não variam com longitude nem com a latitude os processos psicológicos de assalto ao poder." &lt;br&gt;&lt;i&gt;(texto disponível  &lt;a href="http://www.monarquiabr.net/"&gt;aqui&lt;/a&gt;)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88451208?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88451208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88451208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88451208' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88406615</id><published>2003-02-02T01:21:00.000-03:00</published><updated>2003-02-02T03:21:48.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Sonho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(Se eu começar um post com as palavras &lt;i&gt;sonhei  que&lt;/i&gt;, você promete que não entra em pânico?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhei que &lt;i&gt;(calma)&lt;/i&gt; via uma ilustração em preto e branco, feita por &lt;a href="http://www.gothic.art.br/front/belmonte.htm"&gt;Belmonte&lt;/a&gt;, dos &lt;i&gt;entes&lt;/i&gt; de Tolkien; aquelas altas criaturas que em tudo se parecem com árvores, mas andam. Eles marchavam colina abaixo; mas olhei com atenção os detalhes dos galhos e folhas (muitos, e que no sonho se embaralhavam uns nos outros) e de repente vi que a Emília estava lá, montada num dos galhos mais altos, com as mãozinhas na cintura, em pose petulante. Olhei melhor e vi o Visconde de Sabugosa semiescondido entre raízes aéreas, no mesmo ente; e, em dois outros entes, Pedrinho e Narizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei a capa e vi:  &lt;i&gt;As Viagens de Emília na Terra Média &lt;/i&gt;- Monteiro Lobato, 1968.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não li o livro (tenho dificuldade para ler em sonhos – &lt;i&gt;meu Deus, sou disléxico em sonhos&lt;/i&gt;) mas imagino que Frodo e Sam aparecem no Sítio; que a princípio seus rastros são confundidos com os de algum monstro; que Pedrinho fez armadilhas (perdão: &lt;i&gt;arapucas&lt;/i&gt;) para capturá-los; e que a Emília, mesmo depois de ver Frodo e Sam e ouvir o pedido de ajuda deles, quer amarrá-los e vendê-los para um circo. Só a muito custo todos a convencem a ajudar os hobbits; e lá pelo meio da história ela &lt;i&gt;encasqueta&lt;/i&gt;* que quer o anel. Também imagino que a Cuca se vendeu a Sauron. &lt;i&gt;Oh well&lt;/i&gt;, seria típico...&lt;br&gt;&lt;br&gt;*  palavra caracteristicamente &lt;i&gt;emiliana&lt;/i&gt;, não é? &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;As armas de Emília contra o Exército de Sauron&lt;/b&gt;&lt;br&gt;- E você, Emília, que arma leva? - perguntou Narizinho.&lt;br&gt;- Levo o espêto de assar frangos. Tenho mais fé naquele espêto do que nas armas de vocês todos. &lt;br&gt;&lt;i&gt;(de "Caçadas de Pedrinho")&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88406615?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88406615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88406615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88406615' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88364363</id><published>2003-02-01T02:13:00.000-03:00</published><updated>2003-02-01T02:16:54.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;B&gt;Academia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Percebi que havia algo errado com a universidade quando, no primeiro dia, a professora de crítica literária ficou repetindo &lt;i&gt;o Décio isso, o Décio aquilo&lt;/i&gt;, querendo se referir ao Décio Pignatari. Senti no baixo ventre o soco de gancho da desilusão profunda. Cuspi esperanças no chão da melancolia. E no meu caderno escrevi: &lt;i&gt;meu deus meu deus meu deus meu deus meu deus jesus jesus jesus jesus jesus&lt;/i&gt;. Curioso como a universidade me levou aos braços de Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns poucos segundos depois, a professora disse: &lt;i&gt;para vocês acabou hoje toda e qualquer leitura descompromissada e ingênua&lt;/i&gt;. Mais uma vez invoquei o sangue de Cristo no caderno. Depois me desenhei enforcado. Não contente com isso, desenhei uma faca no meu peito: além de enforcado, por favor, esfaqueado; qualquer coisa, menos aquilo, aquela aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sala sem janela, os alunos (com uma exceção sublime) feios – tão feios que nem acreditavam mais na possibilidade de que uma roupa boa os melhorasse, e se vestiam desenxabidamente – completamente massacrados pela vida,  pelos próprios cérebros, e pelas próprias caras amassadas - uma senhora japonesa encurvadinha, que não tinha mais como empregar as manhãs – gente que &lt;i&gt; trabalhava&lt;/i&gt; Joyce, &lt;i&gt;trabalhava&lt;/i&gt; Pound, &lt;i&gt;trabalhava&lt;/i&gt; Saramago – e uma professora que, na vida toda, para cada página de teoria literária havia lido meia linha de literatura, entendendo tudo errado, &lt;i&gt; sob o ângulo de Barthes&lt;/i&gt;: eis o retrato da academia. E eu que tinha ido para lá sonhando em ser uma caricatura de professor distraído, usando um paletó com remendo de couro no cotovelo. Citando &lt;i&gt;The Hunting of the Snark&lt;/i&gt; de memória para alunas lindas de dezoito, que se deixariam ficar pra trás no final da aula, &lt;i&gt;pra tirar uma dúvida&lt;/i&gt;. Uma de cada vez: e uma delas seria estranhamente parecida com Katie Holmes. Mas divago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aula atrás de aula, as coisas que anotei nas margens do caderno são expressões ridículas de ódio e desconforto. &lt;i&gt; Socorro, so-cor-ro, help oh Lord, que imbecila, what the hell am I doing here, I could be sleeping, I could be reading Jane Austen, vixe, socorro...&lt;/i&gt;. Ah, o estudo das anotações feitas nas margens dos cadernos por alunos comuns: eis algo que provavelmente a academia tem medo de estudar. Assim no mundo todo, enquanto cada professor fala, são insultados minunciosamente, uma letra entre cada volta da espiral do caderno: &lt;i&gt;F-U-C-K-I-N-G-I-M-B-E-C-I-L-E&lt;/I&gt;...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88364363?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88364363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88364363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_02_01_archive.html#88364363' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88310922</id><published>2003-01-31T02:27:00.000-03:00</published><updated>2003-01-31T13:35:36.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Falei ontem de Lin Yutang, e passei a noite de hoje o relendo, para citá-lo aqui. Com muito custo vou me restringir a quatro citações, embora o tempo todo encontre passagens que me fazem dizer em voz alta: &lt;i&gt;Ah! Tenho que pôr isto aqui&lt;/i&gt;. Estão num livro chamado “A Importância de Viver”, que foi traduzido por Mário Quintana. Ainda é possível encontrá-lo em sebos. Talvez você o tenha visto e tenha tido nojo do título (o que é compreensível). Mas volte atrás e o folheie.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Mandarins&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;"Muitas são as amenidades que se praticam na China. Cultivam-se cuidadosamente os gestos dos dedos, mãos e braços. (...) Os cultos mandarins de antanho faziam gestos extremamente lindos quando se aborreciam. (...) Também é lindo ouvir o discurso de um mandarim. Suas palavras surgem com bela cadência, e os tons cantantes do sotaque de Pequim têm um gracioso altibaixo musical. As sílabas se pronunciam com graça e lentamente e, no caso dos verdadeiros eruditos, a linguagem é recamada de jóias do estilo literário. E também deve ver-se como ri ou cospe um mandarim. É delicioso, na verdade. O ato de cuspir pratica-se geralmente em três compassos musicais; os dois primeiros são os sons de aspirar e limpar a garganta como preparativo do compasso final de cuspir, que se executa com rápida força; &lt;I&gt;staccato&lt;/i&gt; depois de &lt;i&gt;legato&lt;/i&gt;. Não me importam na realidade os germes que assim povoam o ar, se o ato de cuspir se realiza esteticamente. (...) O riso de um mandarim é também uma coisa regulada e artisticamente rítmica, com um toque de artifício e estilização, e rematada por um volume cada vez mais generoso, agradavelmente suavizado por umas barbas brancas, quando as há."&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88310922?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88310922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88310922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#88310922' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88310820</id><published>2003-01-31T02:25:00.000-03:00</published><updated>2003-01-31T13:38:21.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Um bom escritor&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;"Um bom escritor é como a irmã de Yang Kueifei, que podia ir ver o próprio imperador sem pó nem carmim. Nenhuma das demais beldades do palácio os podia dispensar. Esta é a razão pela qual tão poucos escritores se atrevem a escrever em linguagem simples."&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;A Escola da Auto-Expressão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;"A Escola de &lt;I&gt;Hsingling&lt;/i&gt;, iniciada pelos três irmãos Yüan, em fins do século XVI (...) é uma Escola de Auto-Expressão. &lt;I&gt;Hsing&lt;/i&gt; significa “a natureza pessoal” e &lt;i&gt;ling&lt;/i&gt; significa a “alma” ou “espírito vital”. (...) Escrever não é mais do que dar expressão à natureza própria ou caráter de cada um e ao jogo de seu espírito vital. (...) A Escola de Auto-Expressão exige que expressemos por escrito somente os nossos pensamentos e sentimentos genuínos, os nossos amores, ódios, temores e caprichos genuínos. Cumpre expressar tudo isto sem tentar sequer esconder o mau e apresentar o bom, sem medo de despertar a zombaria do mundo, e sem medo de contradizer os sábios antigos e as autoridades contemporâneas." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os escritores da Escola de Auto-Expressão gostam do parágrafo mais característico de um escritor num ensaio, de sua frase mais característica num parágrafo, e da sua expressão mais característica numa frase."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As fraquezas do escritor são o que lhe faz ganhar o carinho de um crítico &lt;I&gt;Hsingling&lt;/i&gt;. Todos os escritores da Escola &lt;i&gt;Hsingling&lt;/i&gt; são contra a imitação dos antigos ou dos modernos e contra uma técnica literária de regras fixas. Os irmãos Yüan sustentavam que “o que importa na literatura é a autenticidade”. Li Liweng cria que “o importante na literatura é o encanto e o interesse”. Yüan Tset’ai cria que “não há técnica para escrever”. Um dos primeiros escritores Sung, Huang Shanku, cria que “as formas de escrever se produzem tão acidentalmente como os buracos nas madeiras carcomidas pelos insetos”.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88310820?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88310820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88310820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#88310820' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88310777</id><published>2003-01-31T02:24:00.000-03:00</published><updated>2003-01-31T13:40:50.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;B&gt;CONDIÇÕES HUMILHANTES PARA AS FLORES&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;(retirado do “P’ingshih”, livro sobre a forma de se arranjar flores, escrito no século XVI por Yüan Chunglang) &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor que recebe visitas constantemente.&lt;br /&gt;Um servente estúpido que coloca ramos em demasia e transtorna a decoração.&lt;br /&gt;Monges ordinários que falam &lt;i&gt;zen&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Meninos cantores.&lt;br /&gt;Cantigas de Yijang &lt;i&gt;(Kiangsi)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Mulheres feias que colhem flores e adornam os cabelos com elas.&lt;br /&gt;Discutir promoções e baixas oficiais.&lt;br /&gt;Falsas expressões de amor.&lt;br /&gt;Poemas escritos por cortesia.&lt;br /&gt;A família que faz contas.&lt;br /&gt;Escrever poemas consultando dicionários de rimas.&lt;br /&gt;Livros em mau estado largados à toa.&lt;br /&gt;Agentes de Fukien.&lt;br /&gt;Pinturas apócrifas de Kiangsu.&lt;br /&gt;Excrementos de rato.&lt;br /&gt;Quando o vinho termina antes de começarem os jogos-de-vinho.&lt;br /&gt;Um escrito sobre a mesa, com frases como “o purpúreo ar matinal” (comum nas loas imperiais).&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Nota do autor (eu, Alexandre) -&lt;/b&gt; Não faço a menor idéia do motivo pelo qual os agentes de Fukien são desprezíveis, mas eu os desprezo profundamente. Ah, outra coisa. Lin Yutang não é mais levado a sério por ninguém hoje em dia; o que é mais um motivo para amá-lo. Adoro esses escritores que não são mais levados a sério, como ele e Maugham; e os que nunca foram, como Isaac Asimov. Num canto tranqüilo da sua casa, eles conversam com você descalços; e quando você ouve a campaínha e sabe que é uma Visita Séria como Jean Paul Sartre ou Simone de Beauvoir, você, Yutang, Asimov e Maugham saem correndo pela porta dos fundos e vão continuar a conversa na garagem, falando baixinho e rindo, até que os chatos tenham ido embora.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88310777?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88310777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88310777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#88310777' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88245273</id><published>2003-01-30T00:21:00.000-03:00</published><updated>2003-01-30T00:25:23.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Brasil e China&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;As caras de certos homens suam burrice. Os chineses, quando ficavam mais de três dias sem ler um livro, escondiam o rosto para que os visitantes não os vissem: “Não me olhe! Estou com a cara estúpida.” Mas as pessoas que vemos na rua, no jornal, na tevê, não têm essa delicadeza de mandarim. Como eu amo essa China imaginária criada por Lin Yutang, em que poetas excêntricos se apaixonam por rochas ou pela lua. Essa China era lânguida, sutil, refinada. Quando Bertrand Russell visitou a China, escreveu numa carta para um amigo: &lt;I&gt;Estou conversando diariamente com os dez homens mais inteligentes do mundo&lt;/i&gt;. O Brasil é uma espécie de China burra.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88245273?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88245273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88245273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#88245273' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88200791</id><published>2003-01-29T02:44:00.000-03:00</published><updated>2003-01-29T03:49:21.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Uma das piores coisas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Uma das piores coisas que aconteceram com os negros é uma certa obsessão com raças. Quase todo filme ou livro escrito por negros trata da relação da raça negra com a raça branca. Até mesmo escritores muito bons, como James Baldwin ou Ralph Ellison, parecem só se interessar por isso - relacionamento de raças - &lt;i&gt;raças&lt;/i&gt;. Imagine o que seria dos brancos se pensassem o tempo todo no seu relacionamento com a raça negra. Se nunca fossem livres para pensar em matemática, astronomia, metafísica. Se tivessem que se concentrar nesse assunto chatíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que existem astrônomos negros, anatomistas negros, nerds negros. Mas não conheço nenhum. O assunto único na vida de cada intelectual negro parece sempre ser só um: &lt;i&gt;o que os brancos fizeram com a gente, o que os brancos fazem com a gente, e o que a gente vai fazer com os brancos&lt;/i&gt;. É compreensível, e talvez eu fosse assim se fosse negro; mas deve ser uma desgraça para eles próprios. Só de me imaginar escrevendo livros sobre &lt;i&gt;a condição branca&lt;/i&gt; (ou &lt;i&gt;a  branquitude&lt;/I&gt;) tenho enxaquecas de horror e nojo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Note bem: &lt;I&gt;se&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse negro, criaria um blog chamado &lt;I&gt;Negro Imundo&lt;/i&gt;, só para chocar as pessoas. E quando me mandassem emails reclamando, responderia: "Ué, mas eu sou negro. E tem mais - sou imundo!"&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Sério, como?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Como se chama um negro da África em linguagem politicamente correta? Afro-africano?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88200791?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88200791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88200791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#88200791' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88140462</id><published>2003-01-28T02:19:00.000-03:00</published><updated>2003-01-28T02:19:14.700-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Frase&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não há nada que chateie mais um escoteiro do que uma velhinha que consegue atravessar a rua sozinha.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Richard Mitchell, o &lt;a href="http://www.sourcetext.com/grammarian/index.html"target="_blank"&gt;Underground Grammarian&lt;/a&gt;, que morreu um mês atrás)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88140462?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88140462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88140462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#88140462' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88136511</id><published>2003-01-28T00:57:00.000-03:00</published><updated>2003-01-28T02:20:02.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Número&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O ministro da fazenda admitiu que o número de miseráveis no Brasil, com o qual o PT costumava atacar o Fernando Henrique, não é na verdade 54 milhões, mas 23 milhões. (Li isso no &lt;a href="http://direita.blogspot.com/"target="_blank"&gt;Direita&lt;/a&gt;, e está aqui no &lt;a href="http://www.estadao.com.br/eleicoes/governolula/noticias/2003/jan/20/27.htm"target="_blank"&gt;Estadão&lt;/a&gt; se você quiser ler todos os detalhes.) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, claro - &lt;I&gt;agora&lt;/i&gt; eles dizem isso. O número era obviamente errado - 54 milhões é quase um terço do país - e eles &lt;i&gt;sabiam&lt;/i&gt; que estava errado, mas &lt;a href="http://www.cut-sc.org.br/numeros_brasil.htm"target="_blank"&gt;usaram &lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.inverta.com.br/edit39.htm"target="_blank"&gt;mesmo &lt;/a&gt; &lt;a href="http://planeta.terra.com.br/arte/vetado/fernandanascimento_12112002.html"target="_blank"&gt;assim&lt;/a&gt;, porque era um número útil. Se não sabiam, pior ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prestem atenção para que esse número não apareça mais. Lá pelo final do governo Lula, a tentação de fazer esse número aparecer de novo vai ser muito grande: &lt;i&gt;reduzimos o número de miseráveis no país, de 54 milhões para 42 milhões...&lt;/i&gt; Apenas prestem atenção. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88136511?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88136511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88136511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#88136511' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88074659</id><published>2003-01-27T00:06:00.000-03:00</published><updated>2003-01-27T20:57:59.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;A humanidade é uma gorda dançando num banquinho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Um homem deprimido via videocacetadas sem som, e ao invés de rir, ia ficando mais deprimido: &lt;I&gt;Olha a humanidade, é assim  mesmo, não conseguem dar dois passos sem cair, não conseguem saltar um riacho sem cair, não conseguem nem dançar sem cair,  arrastando umas cinco pessoas junto, e a cortina também. Não conseguem chegar perto de uma piscina sem cair dentro, não conseguem chegar perto de uma avestruz sem ser bicados pelas costas. Seus filhos jogam bolas de beisebol direto nos seus testículos, seus cachorros os atacam pelos fundilhos, seus gatos fincam as unhas nas suas coxas. Não conseguem fazer um piquenique sem que uma lancha os atropele, não conseguem subir num cavalo sem ir parar debaixo do cavalo, não conseguem assoprar uma vela de aniversário sem pôr fogo no próprio cabelo. Olha essa gorda, olha essa gorda, dançando em cima de um banquinho. Já se sabe no que vai dar. Somos todos essa gorda, meu Deus, meu Deus.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88074659?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88074659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88074659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#88074659' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-88038215</id><published>2003-01-26T04:10:00.000-03:00</published><updated>2003-01-26T04:29:35.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Caricaturas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Estava vendo um filme com Johnny Depp &lt;I&gt;(&lt;a href="http://www.rottentomatoes.com/m/Blow-1106751/"target="_blank"&gt;Profissão de Risco&lt;/a&gt;)&lt;/i&gt; quando fiquei meio irritado com os personagens mal-escritos: a mãe chata, a mulher chata, o drogado meio bicha, o drogado malucão. Daí a Verdade me ocorreu: é claro, os personagens não parecem reais porque essa é uma história verídica. Na vida real ninguém parece real mesmo. Todos parecem caricaturas - às vezes muito agradáveis, mas caricaturas. O romancista E.M. Forster dividiu &lt;a href="http://www.rosettabooks.com/pages/title_133.html"target="_blank"&gt;uma vez&lt;/a&gt; os personagens de romances em &lt;i&gt;planos&lt;/I&gt; e &lt;i&gt;esféricos&lt;/i&gt; - os primeiros sendo unidimensionais, simples, estereotipados; os segundos sendo complexos e capazes de evolução. Pois bem, &lt;I&gt;personagens esféricos&lt;/i&gt;  são uma invenção de romancistas; na vida real todo mundo é plano. Quando há uma exceção e alguém nasce psicologicamente esférico, as pessoas ficam tão espantadas que escrevem livros sobre ele. Ver &lt;I&gt; Samuel Johnson, Lincoln, Churchill. &lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-88038215?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88038215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/88038215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#88038215' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-87992009</id><published>2003-01-25T01:11:00.000-03:00</published><updated>2003-01-25T18:07:42.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Cidadania&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Tenho a impressão que &lt;a href="http://www.outonos.com/textos/evandro20030117.html"target="_blank"&gt;cidadania&lt;/a&gt; é uma palavra inventada pela MTV Brasil, para obter trabalho escravo. Funciona assim: o conceito deixa jovens empolgados. Aí eles sobem em caixotes e &lt;I&gt;dão depoimentos&lt;/i&gt; muito maduros, cobrindo algumas horas de programação de graça e dando folga aos VJs. Depois são guardados num porão.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Geração Cabecinha-Boa&lt;/b&gt;&lt;br&gt;E as tias deles comentam, &lt;I&gt;que cabecinha boa tem o Etevaldo para a idade dele&lt;/I&gt;. Descrição que se estende tragicamente ao país todo e ao seu presidente tosquinho também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São contra todas as coisas feínhas. Achando sem dúvida que Fernando Henrique adorava as coisas feínhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro uma vez de ter parado numa farmácia onde duas senhôuras gordinhas viam tevê. Isso foi antes das eleições. Lula discursava contra o crime, dizendo que seu governo ia ser &lt;i&gt;o governo da paz&lt;/i&gt;. Imediatamente uma das gordinhas pôs a mão no peito e disse, cheia de emoção: &lt;I&gt;Isso, meu Deus. Isso é que nós estamos precisando. Paz, muita paz.&lt;/i&gt; Porque, é claro, Serra era a favor do crime, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-87992009?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87992009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87992009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#87992009' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-87942991</id><published>2003-01-24T03:08:00.000-03:00</published><updated>2003-01-24T03:18:58.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;A nuca estúpida&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ontem vi um homem que tinha uma nuca estúpida. Ele estava no banco traseiro do carro que estava na frente do meu, e enquanto o farol não abria fiquei olhando pra ele.  Não sei bem o que fazia com que aquela nuca parecesse estúpida. Talvez fosse porque ele usava boné. Não, não era isso – o boné estava virado pra frente. Talvez fosse o cabelo raspado – mas acho que também não era isso. Acho que instintivamente compreendi um mistério da estrutura óssea. Era impossível que um pensamento interessante saísse de nuca tão vil.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-87942991?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87942991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87942991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#87942991' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-87940545</id><published>2003-01-24T02:12:00.000-03:00</published><updated>2003-01-26T04:31:48.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Paulo Salles&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Em resposta a um poema que escrevi (manda o clichê que diga &lt;i&gt;cometi&lt;/i&gt;) no post do dia 16.01.03, Paulo Salles me enviou por email um poema que é muito melhor que o meu, mas mentiroso - se caluniando violentamente em nome da deusa Modéstia. Hei de processá-lo para seu próprio bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;Francis roars &amp; shakes his whole truth in time:&lt;br /&gt;"Lancis now is a name to fit the rhyme!&lt;br /&gt;That stupid &lt;a href="http://lucidalancis.blogspot.com"target="_blank"&gt;double-L blog&lt;/a&gt;, I was told,&lt;br /&gt;Is dead, and the news did not make me shiver;&lt;br /&gt;But why read a Salles when I have Silva,&lt;br /&gt;And this Silva's so much betta than Gold?"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-87940545?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87940545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87940545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#87940545' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-87886150</id><published>2003-01-23T03:34:00.000-03:00</published><updated>2003-01-23T03:48:52.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Aviso&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O pessoal do Blogger arrombou a minha porta hoje, revistaram as minhas gavetas e me disseram que tenho até o final desta semana para colocar uma letra de música pop neste blog. Estou ouvindo de novo meus CDs, desesperado. Também me intimaram a colocar o resultado de um teste de personalidade qualquer até fevereiro. Digo desde já: entre os frequentadores do Antonio's na década de setenta, eu sou Regina Leclery; entre os frequentadores da mesa do Algonquin, eu sou Alexander Woollcott; entre os cavaleiros da távola redonda, eu sou Bandemaguz; entre os colunistas do Digestivo da 1a/2a geração, eu sou Alexandre Soares Silva; entre os personagens de Lovecraft, eu sou Shub-Nigurath, o Bode Negro da Floresta de Mil Filhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-87886150?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87886150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87886150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#87886150' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-87885639</id><published>2003-01-23T03:21:00.000-03:00</published><updated>2003-01-23T16:32:07.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Interrompendo o longo monólogo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;-É gostoso ser chato?&lt;br /&gt;-Hein?&lt;br /&gt;-Só me deu curiosidade. É gostoso ser chato?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-87885639?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87885639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87885639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#87885639' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-87885222</id><published>2003-01-23T03:10:00.000-03:00</published><updated>2003-01-23T16:37:23.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;The Nancy-Boy Song&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(Velha canção do mar, que inventei agora)&lt;br /&gt;Para ser lida em voz alta, de pé.&lt;br /&gt;Sério, levante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;Madam,&lt;br /&gt;Oh Madam,&lt;br /&gt;Oh do you own this ship?&lt;br /&gt;Oh do you own this ship, Madam, &lt;br /&gt;Do you own this ship?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;T'is a xebec not a ship,&lt;br /&gt;A xebec not a ship,&lt;br /&gt;And I am not a Madam, Sailor,&lt;br /&gt;I am a little boy,&lt;br /&gt;I am a little boy...&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;(Nas últimas linhas o leitor, representando o little boy, deve segurar as bordas da camisa com dois dedos e fazer uma dancinha. Tente de novo. Ah: experimente pronunciar "lítou", não "lírou." &lt;I&gt;It's mindless fun&lt;/i&gt;.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-87885222?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87885222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87885222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#87885222' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-87818649</id><published>2003-01-22T00:05:00.000-03:00</published><updated>2003-01-22T00:05:57.883-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br /&gt;Lula foi eleito pelo mesmo motivo de que existem pornôs em que donas de casa fazem sexo com encanadores: paixão pelo Homem do Povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebe-se esse amor na maior parte dos humoristas do país, que sem parar fazem piadas a favor do Lula. Mas disfarçam com uma certa falsa irreverência, como por exemplo fazendo graça do seu modo de falar - que é mais ou menos como um bom filho fazendo graça com a barriga do pai, na frente dele, muito carinhosamente. Ou como se eu fizesse graça do sotaque caipira de alguma mulher que eu amasse. Não estamos rindo de você, Lula. É com você, ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo eles queriam mandar ao presidente, pelo jornal, pela tevê, delicadas mensagens de amor trigueirinho. Mas disfarçam na forma de piadas carinhosas. Fico imaginando se os apóstolos faziam piadas assim na frente de Jesus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Jesus, cuidado com os romanos.&lt;br /&gt;-Ele não precisa ter cuidado com os romanos, ele pode escapar andando por sobre as águas, não é, Jesus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(risadas gerais)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo os humoristas brasileiros me lembram um pouco essas mulheres que se espremem contra as grades nos treinos de futebol. Talvez uma hora Lula se aproxime da grade e dê um beijinho no Luis Fernando Verissimo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-87818649?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87818649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87818649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#87818649' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3992594.post-87767607</id><published>2003-01-21T02:06:00.000-03:00</published><updated>2003-01-21T02:18:00.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;O que quero da crítica&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Vou lhe dizer o que &lt;I&gt;eu&lt;/I&gt; espero de uma crítica: a reação de uma pessoa inteligente a uma obra de arte. É exatamente &lt;I&gt;isso&lt;/i&gt; que eu quero, como leitor: as impressões de um homem inteligente. Não gráficos; não teorias científicas ou políticas; só quero que diga como se sentiu; que associações fez; onde estava quando viu tal filme, leu tal livro; na companhia de quem. O melhor momento na descrição que Mencken fez de uma luta entre Jack Dempsey e Georges Carpentier é quando ele fala de uma mulher linda sentada atrás dele: &lt;I&gt; torceu por Carpentier em francês e aceitou o nocaute com heróica resignação&lt;/I&gt;. Fale disso – onde você estava e o que pensou quando viu o que viu – como estava se sentindo – e se um pensamento irrelevante, mas curioso, passou pela sua cabeça durante uma peça ou uma sinfonia, &lt;I&gt;fale dele&lt;/I&gt;. Pelo amor de Deus, seja um ser humano. Não tenha medo de ser irrelevante – seja irrelevante. Não pense, se seu assunto é Goethe: &lt;I&gt;meu Deus, estou me juntando à centenária discussão sobre Goethe – tenho que dizer algo relevante sobre ele, ou não falar nada&lt;/I&gt;. Não se junte à discussão relevante, naquele cômodo do inferno em que Edmund Wilson discursa para sempre sobre Goethe de modo muito relevante. Seja violentamente irrelevante e fale como se sentiu e onde estava quando leu sobre o país onde floresce o limoeiro. E acima de tudo: nenhuma menção a &lt;I&gt;mimese, catarse, peripécia, carnavalização, Propp, Bakhtin, Marx, Freud&lt;/I&gt; - ou a qualquer outro científico filisteu que já tenha cunhado um científico jargão neste mundo. Eles todos ardem agora num muito científico e relevante círculo do inferno.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3992594-87767607?l=alexandresoaressilva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87767607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3992594/posts/default/87767607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandresoaressilva.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#87767607' title=''/><author><name>alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08574534554667197897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
